PCdoB: BALUARTE DA LUTA PATRIÓTICA E POPULAR
Lucas dos Santos Ferreira Assessor Parlamentar da Deputada Angela Albino Dirigente do PCdoB / Santa Catarina Mestrando em Geografia Humana […]
Publicado 16/03/2012 17:32

Assessor Parlamentar da Deputada Angela Albino
Dirigente do PCdoB / Santa Catarina
Mestrando em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo
É nesse sentido que se desenvolve o raciocínio de Antonio Gramsci, quando este coloca que “as massas só existem politicamente quando organizadas nos partidos políticos: as mudanças de opinião que ocorrem nas massas, sob a pressão das forças econômicas determinantes, são interpretadas pelos partidos, que primeiro se cindem em tendências, para depois se cindirem numa multiplicidade de novos partidos orgânicos. Através deste processo de desarticulação e de rearticulação, de fusão entre homogêneos, revela-se um íntimo processo de decomposição da sociedade democrática, que conduz ao alinhamento das classes em luta pela conservação ou conquista do poder do Estado e do poder sobre o aparelho de produção.” (GRAMSCI, 2004, p. 87)
No caso do proletariado, que ao consolidar-se passa a representar os interesses do conjunto do povo, suas metas são a destruição das relações de produção capitalistas e a montagem de um sistema de poder não mais baseado na exploração do homem pelo homem, garantindo uma direção revolucionária que sufoque os anseios egoístas e estagnantes das classes dominantes, tendo como principal instrumento de ação o Partido Comunista.
O que diferencia o Partido Comunista dos partidos burgueses, em última instância, é sua orientação baseada nos fundamentos do marxismo-leninismo e sua função de educar as massas para que estas superem seus interesses imediatos (econômicos) e alcancem um padrão de subjetividade emancipatório. Compete ao Partido Comunista entender os interesses das massas e conduzi-las no sentido da aceleração do processo de transição do capitalismo ao socialismo e do combate às potências imperialistas.
“Nós nos baseamos integralmente na teoria de Marx: ela transformou pela primeira vez o socialismo, de utopia, em uma ciência, lançou as sólidas bases dessa ciência e traçou o caminho que havia de seguir, desenvolvendo-a e elaborando-a em todos os seus detalhes. A teoria de Marx descobriu a essência da economia capitalista contemporânea, explicando como a contratação do operário, a compra da força de trabalho encobre a escravização de milhões de despojados por um punhado de capitalistas, donos da terra, das fábricas, das minas, etc. Essa teoria demonstrou como todo o desenvolvimento do capitalismo contemporâneo orienta-se para a substituição da pequena pela grande produção, criando as condições que tornam possível e indispensável à estruturação socialista da sociedade. Ela nos ensinou a ver, sob o manto dos costumes arraigados, das intrigas políticas, das leis sabichonas e doutrinas habilmente urdidas, a luta de classes, a luta que se desenvolve entre as classes possuidoras de todo gênero e as massas despojadas, o proletariado, que está à frente de todos os desempossados. A teoria de Marx estabeleceu a verdadeira tarefa de um partido socialista revolucionário: não arquitetar planos de reestruturação da sociedade nem ocupar-se da prédica aos capitalistas e seus acólitos da necessidade de melhorar a situação dos operários, nem tampouco tramar conjurações, mas sim organizar a luta de classe do proletariado e dirigir esta luta, que tem por objetivo final a conquista do poder político pelo proletariado e a organização da sociedade socialista.” (LÊNIN, 1981, p. 194)
Esta compreensão da Teoria do Partido igualmente demanda respeito às características das distintas formações econômico-sociais, complexos emaranhados de estruturas pertencentes a distintos tempos históricos (existência de ranços feudais no Brasil capitalista, por exemplo), que exigem das camadas dirigentes comunistas a flexibilização de sua tática no sentido de articular grandes arcos de alianças de cunho anti-imperialista que permitam o crescimento do Partido, ou seja, exige o enfrentamento dos desafios da realidade concreta sem a impor às massas de abstrações vazias.
“O partido não tem por função impor às massas um tipo de comportamento elaborado de forma abstrata, mas pelo contrário, aprender continuamente lutas e métodos de lutas das massas. Mas ao preparar as ações revolucionárias futuras, deve ser ativo, mesmo enquanto estuda o comportamento das massas. Deve tornar consciente e ligar à totalidade das lutas revolucionárias o que as massas inventaram espontaneamente, graças ao seu justo instinto de classe: deve, para empregar as palavras de Marx, explicar as massas sua própria ação, não apenas com o fim de assegurar a continuidade das experiências do proletariado, mas também para ativar o desenvolvimento posterior destas experiências… O dever de partido é o de percorrer livre e conscientemente o caminho necessário, de se reconverter antes que o perigo da desorganização seja atual e de agir sobre as massas graças a esta transformação, educando-as e encorajando-as.” (LUKÁCS, 1987, p. 111)
O Partido Comunista do Brasil, apesar de haver cometido muitos equívocos históricos, a exemplo do conjuntural afastamento das idéias de Octavio Brandão e do tardio reconhecimento da atualização do socialismo encaminhada por Deng Xiaoping na China Popular, foi o mais fervoroso defensor do interesse dos trabalhadores na história nacional, o que muitas vezes custou a vida de militantes e dirigentes partidários, como na batalha pela democracia (1964-85) onde foi derramado sangue comunista na Chacina da Lapa, na Guerrilha do Araguaia e tantos outros episódios.
Com a abertura política, o PCdoB destacou-se no combate ao projeto neoliberal dirigido por Collor e FHC, estando ao lado dos trabalhadores contra as privatizações e o fim da reserva de mercado que destruiu a indústria nacional.
As vitórias dos governos de coalizão dirigidos Lula e Dilma vêm representando importantes avanços em termos de formulação de programas sociais e de potencialização de mecanismos de desenvolvimento como o BNDES e a Caixa Econômica Federal, todavia modificando muito lentamente uma política econômica desastrosa que penaliza os trabalhadores e a burguesia nacional. Nesse sentido, vem competindo ao PCdoB combater as medidas equivocadas do governo, tentar aproximá-lo do campo popular e acumular forças nas disputas eleitorais para tentar atender os grandes anseios do povo brasileiro.
São dois os principais alicerces de sustentação moral e política do PCdoB que devem ser ferrenhamente defendidos por todos os seus dirigentes e militantes: a ciência e a unidade. Somente com estes alicerces compreenderemos os desafios da luta patriótica e popular e teremos capacidade de guiá-la, nos fortalecendo como Partido de Quadros e de Massas sem perder nossa orientação marxista-leninista, adaptando-nos as mudanças da realidade em movimento.
“O Partido Comunista do Brasil está decidido a buscar, sem preconceitos, contato com todas as forças que combatem o revisionismo contemporâneo, tentando abrir caminho à unidade do movimento proletário mundial. A unidade não surgirá de um dia para o outro. É um processo de luta demorado e paciente. Se quiséssemos apressar este processo, estaríamos errados. Não é hora de chegar a conclusões definitivas, mas de examinar as questões em profundidade para encontrar a melhor solução. Isso também diz respeito aos partidos irmãos que se encontram no poder, como é o caso de Cuba, do Vietnã, de Coréia do Norte e da China Popular.” (AMAZONAS, 1992, p. 4)
Viva o Brasil!
Viva o PCdoB!
*REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AMAZONAS, João. Pela unidade do Movimento Comunista: Pronunciamento na reunião dos Partidos Comunistas e Organizações Revolucionárias, Brasília, 1992.
GRAMSCI, Antonio. Os partidos e a massa. In: Escritos Políticos. Volume II. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, 2004.
LÊNIN, V.I. Nuestro Programa. In: Obras Completas. Tomo IV. URSS: Editorial Progreso, 1981.
LUKÁCS, Georg. Teoria do Partido Revolucionário. São Paulo: Ed. Brasil Debates, 1987.