Nas urnas, um alerta, comunistas, é hora de aprofundar a luta de classe
Os movimentos identitários, embora válidos em muitos aspectos, não podem se desviar da perspectiva de classe, pois, isoladamente, não conseguem enfrentar as raízes da opressão.
Publicado 28/10/2024 12:09

O recente resultado eleitoral em São Paulo é um marco que reforça a necessidade de reflexão para os que estão na linha de frente da luta revolucionária. Para nós, comunistas, a luta nas urnas é parte do processo, mas está longe de ser o fim. Como ensinou Lenin, “o parlamentarismo é, naturalmente, uma das formas de dominação política da burguesia”. A participação eleitoral é apenas um dos instrumentos de luta, que pode ser útil em certos momentos, mas não substitui a necessidade de uma organização que se baseie na tomada de consciência de classe e no enfrentamento direto à exploração. Portanto, saudamos a militância, parabenizamos a entrega e o empenho nas urnas, mas alertamos que nosso fronte não é o eleitoral.
É fundamental compreender que a luta de classes não se resolve em uma única eleição, pois, como Marx e Engels já colocaram no Manifesto Comunista, “a história de todas as sociedades que existiram até hoje é a história das lutas de classes”. Esse cenário de crise revela a sedução que os trabalhadores ainda sentem pelos discursos conservadores e individualistas, o que reflete uma falta de entendimento sobre sua posição na estrutura capitalista. Sem a conscientização de que são explorados, os trabalhadores permanecem vulneráveis à retórica do mérito e do empreendedorismo, vendo inimigos onde não estão — no pobre, no bandido — e não enxergando a arma que os ameaça: a estrutura econômica e ideológica que mantém sua exploração e alienação.
A educação formal, nesse contexto, não é a solução para o despertar da consciência de classe, pois é moldada pelos interesses da burguesia. Em um sistema de ensino projetado pela classe dominante, o que se ensina às crianças da classe trabalhadora é a obediência e o conformismo. Marx nos alertou sobre como a ideologia dominante é aquela da classe dominante, e nas escolas capitalistas, esta é difundida em cada lição. A educação formal é estruturada para reproduzir a sociedade como ela é, para transformar trabalhadores em mão de obra dócil e disciplinada. Ao ensinar aos jovens a se encaixarem em um sistema que os explora, a escola capitalista age como ferramenta de controle, impedindo que o conhecimento crítico floresça, desarmando o trabalhador intelectualmente e tornando-o dependente do sistema.
Por isso, afirmamos que a transformação não virá da educação formal, mas da educação revolucionária que ocorre nos sindicatos, nas entidades de classe, nos movimentos sociais, e, sobretudo, nos espaços de trabalho. É nesses locais que a classe trabalhadora se depara com a realidade de sua condição e pode, unida, organizar-se em torno da tomada de consciência de classe. Lenin nos ensinou a importância de construir organizações fortes e coerentes com os objetivos revolucionários, de modo que ocupemos fábricas, indústrias, e qualquer lugar onde o trabalhador viva diretamente a exploração. Somente quando o trabalhador reconhecer seu papel dentro da estrutura capitalista e se organizar com seus iguais, será possível iniciar o processo de transformação. É nesses espaços que devemos nos fazer presentes, articulando a luta e disputando cada palmo de terreno que possa ser convertido em trincheira contra a opressão.
Os movimentos identitários, embora válidos em muitos aspectos, não podem se desviar da perspectiva de classe, pois, isoladamente, não conseguem enfrentar as raízes da opressão. Ao focarem apenas nas identidades, deixam de lado o fator mais determinante na sociedade capitalista: a relação de trabalho. É a exploração econômica que unifica todas as opressões, e qualquer movimento que ignore essa base corre o risco de enfraquecer a luta revolucionária. Identidades, embora importantes, não criam consciência de classe sozinhas e, frequentemente, acabam sendo apropriadas pelo sistema capitalista como uma ferramenta de marketing ou como política de fachada, absorvendo a força dos movimentos sem ameaçar a estrutura econômica. A nossa atuação, então, deve estar sempre ancorada na luta de classes, com o objetivo claro de que nossa revolução não é apenas por direitos civis ou reconhecimento, mas por uma transformação radical da sociedade que só pode ser atingida pela revolução socialista.
Por isso, é vital que continuemos a ocupar os espaços de trabalho e organização popular. O local de trabalho é o núcleo da relação de exploração e alienação; é ali que o trabalhador sente, na carne e na mente, os efeitos da exploração. A relação de trabalho é o que sustenta toda a estrutura capitalista, e é nela que está a chave para a transformação da sociedade. Precisamos estar presentes nesses espaços, promovendo a organização, construindo a solidariedade de classe e facilitando o entendimento do trabalhador sobre sua própria força coletiva. É no espaço de trabalho que o trabalhador pode, ao lado de seus companheiros, perceber que a sua exploração é parte de um sistema maior, e que só por meio da união e da luta coletiva é possível mudar esse sistema.
Em suma, o resultado eleitoral deve ser lido não como uma derrota, mas como um aprendizado, uma demonstração de que a luta de classes ainda está longe de estar ganha. A vitória final não virá pelas urnas, mas pela revolução. Que cada militante compreenda o valor de sua atuação e se lembre que nossa verdadeira missão é maior do que qualquer cargo eletivo: é a construção de uma nova sociedade. Como nos ensinou Lenin, “a revolução só será possível quando o proletariado tomar consciência de seu papel histórico”. Que sigamos, então, organizando, educando e lutando, até que a classe trabalhadora esteja pronta para cumprir seu papel na história, transformando as bases da sociedade e construindo, finalmente, o socialismo.