Com quantos genocídios se faz uma humanidade?

“Até o momento, mais de 75 milhões de toneladas de bombas foram lançadas sobre Gaza, superando a soma dos bombardeios de Dresden, Hamburgo e Londres na 2ª Guerra Mundial”

Palestinos buscam sobreviventes após ataque israelense na Faixa de Gaza (9.10.2023) | Foto: Mohammed Abed

Há um ano, o mundo assiste um genocídio ocorrer em tempo real, sob as vistas e a hipocrisia do Ocidente. Os números são aterradores e o futuro sangra. Quem pode parar Israel e sua máquina de extermínio?

Há exatamente um ano, Israel deu início a uma série de ataques massivos contra Gaza, alegando responder ao ataque do Hamas em uma rave, em uma área fronteiriça com o território ocupado. Desde então, o mundo assistiu, inerte, à máquina de guerra sionista varrer Gaza do mapa, deixando um rastro de destruição e morte.

No ano passado, em vídeo na internet, alertei sobre o risco de estarmos presenciando mais um crime de limpeza étnica contra o povo palestino, semelhante ao que antecedeu a fundação de Israel e que resultou na Nakba – a expulsão de 80% da população palestina, da então Palestina. Hoje, o cenário que vemos só confirma essa hipótese: Israel ataca também o Líbano, a Síria e o Iêmen.

A ONU permanece de mãos atadas, enquanto o apoio incondicional dos EUA e da Alemanha a Israel perpetua essa tragédia. O massacre já contabiliza mais de 45 mil palestinos mortos – em sua maioria, mulheres e crianças. No entanto, segundo um estudo da revista científica The Lancet, esse número pode ser muito maior, chegando a 186 mil, quando consideramos as mortes indiretas causadas pela fome e doenças.

Até o momento, mais de 75 milhões de toneladas de bombas foram lançadas sobre Gaza, superando a soma dos bombardeios de Dresden, Hamburgo e Londres na Segunda Guerra Mundial. Jornalistas também são alvo dessas bombas: Israel matou 128 profissionais de imprensa, o maior número registrado desde 1992, segundo o Comitê para Proteção de Jornalistas.

A educação e a saúde em Gaza também são deliberadamente atacadas: 88% das escolas foram destruídas, 239 ambulâncias e 155 hospitais e clínicas foram destruídos ou danificadas. E não para por aí: assim como o Estado Islâmico, o regime de Telavive ataca sistematicamente a história palestina, ao destruir ou danificar 206 locais históricos e arqueológicos, numa tentativa de negar a própria existência desse povo.

Com acusações de corrupção pareadas sobre seu governo, Benjamin Netanyahu aposta em intensificar esse horror, avançando com uma agenda de colonização completa. A ocupação do Líbano parece ser o próximo passo nesse caminho.

Os números são aterradores. Pelo menos 902 famílias palestinas foram completamente exterminadas, e em outras 1.364, apenas um membro sobreviveu. Imagina: 902 famílias exterminadas por completo, varridas do mapa, tornadas pó pela alquimia da guerra e da morte. Se isso não é genocídio, o que mais pode ser?

E aí eu pergunto, com toda a sinceridade: o que a máquina de extermínio sionista deve à máquina de genocídio nazista? Você tem coragem de me responder?

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