A verdade oculta: como Ricardo Nunes está preparando o apagão da educação

A gestão de Nunes precariza a educação em São Paulo, enquanto Guilherme Boulos propõe uma alternativa inclusiva e democrática para reverter o apagão educacional

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) | Foto: Divulgação/Alesp

Quando lemos os planos de governo, entendemos que devemos votar em propostas, pois é com base nelas que devemos cobrar resultados após a eleição. No entanto, o plano de Ricardo Nunes revela falhas estruturais e políticas que estão aprofundando a crise na educação de São Paulo. Ao contrário do que se anuncia em propagandas, a gestão de Nunes vem sendo marcada por uma série de retrocessos, especialmente no que diz respeito à precarização da educação infantil, ao confisco salarial dos servidores municipais e à gestão privada dos serviços públicos. Essa continuidade do que já está sendo feito não significa progresso, mas a perpetuação de um sistema que prejudica professores, estudantes e toda a comunidade escolar.

Uma das bandeiras mais visíveis da gestão Nunes é a chamada “fila zerada” nas creches, propagada como um grande avanço. Contudo, essa “conquista” foi construída sobre a privatização maciça da educação infantil. Mais de 90% das creches estão sob a gestão de Organizações Sociais (OSIPs), o que implica na precarização das condições de trabalho dos profissionais da educação, com salários baixos, falta de estabilidade e infraestrutura inadequada. Privatizar a educação não é a solução para a ampliação de vagas; ao contrário, trata-se de uma abordagem que transforma um direito constitucional em um serviço terceirizado. A educação pública deve ser gerida diretamente pelo Estado, com compromisso de qualidade e investimento real, não sendo delegada a entidades que visam lucro em detrimento do bem-estar das crianças e da educação de qualidade.

Outro ponto crítico é a forma como Nunes está administrando os Centros Educacionais Unificados (CEUs). Esses espaços, idealizados e implementados por Marta Suplicy, que hoje é vice de Guilherme Boulos, foram concebidos para promover a integração de educação, cultura e lazer com a gestão democrática das comunidades. No entanto, sob a administração de Nunes, muitos desses CEUs foram entregues às OSIPs, ferindo o princípio da gestão comunitária e transformando esses espaços em meras extensões de uma gestão que prioriza a privatização. Reformas nos CEUs ficaram paradas ou foram feitas sem diálogo com a população, demonstrando o distanciamento da gestão de Nunes dos interesses da comunidade e dos objetivos originais dos CEUs.

A falta de compromisso de Nunes com os servidores públicos também é evidente em suas ações como prefeito. A imposição do Sampaprev, que confisca parte significativa dos salários dos servidores municipais, é um exemplo claro de como sua gestão desvaloriza os profissionais da educação e outros trabalhadores da cidade. O confisco salarial não pode ser considerado uma política de valorização dos professores, e essa medida tem sido amplamente criticada por categorias que sofrem com a perda de poder aquisitivo e com a desvalorização de suas carreiras. Guilherme Boulos já se comprometeu a revogar o Sampaprev, revertendo essa política prejudicial e restabelecendo o respeito pelos servidores, em especial os professores, que merecem condições dignas de trabalho e valorização real.

Além disso, na questão da educação inclusiva, Ricardo Nunes mente ao dizer que oferece suporte adequado aos alunos com deficiência. A realidade é que não existem professores de apoio. O que está sendo oferecido são estagiários, muitas vezes sem experiência pedagógica e, em muitos casos, nem sequer estudantes de pedagogia. Mesmo assim, o número de estagiários é insuficiente para atender a demanda, o que compromete gravemente o direito das crianças com deficiência de acesso, permanência e pleno desenvolvimento no ambiente escolar. O plano de Nunes negligencia essa questão essencial, desrespeitando a inclusão e não garantindo o suporte adequado para essas crianças.

Os números não mentem: o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2024 mostra que a gestão de Nunes falhou em melhorar a qualidade da educação em São Paulo. A cidade obteve uma nota de 5,6 nos anos iniciais e 4,8 nos anos finais do ensino fundamental, além de 4,5 no ensino médio, ficando abaixo das metas estabelecidas pelo Ministério da Educação (MEC) para 2021. Esses números revelam a fragilidade da política educacional de Nunes, que prefere exaltar conquistas superficiais, como a ampliação de vagas nas creches, enquanto ignora a falta de qualidade no ensino e o impacto negativo da terceirização na formação das crianças.

Outro ponto sensível da política educacional de Nunes é sua abordagem pragmática ao ensino integral, tratando-o apenas como uma extensão de horas nas escolas, sem considerar os impactos pedagógicos e a infraestrutura necessária. Essa implementação do ensino integral ocorre sem o planejamento adequado, ignorando que os prédios das escolas municipais, em sua maioria, não comportam esse tipo de proposta. Sem a construção de novos equipamentos adequados, a ampliação da jornada escolar se transforma em um aumento de carga para os profissionais e para os alunos, sem a contrapartida de qualidade no ensino. Nunes vê o ensino integral apenas como uma ampliação do tempo de permanência dos alunos na escola, sem a criação de um currículo específico ou adaptação dos espaços, tratando as escolas como meros depósitos de crianças.

A alternativa de Guilherme Boulos: uma nova concepção de educação

Diante desse cenário de precarização e privatização, a candidatura de Guilherme Boulos representa uma verdadeira alternativa para salvar a educação pública de São Paulo. Boulos entende que a educação é um direito universal e, portanto, deve ser gerida pelo Estado com qualidade, não sendo relegada à iniciativa privada. Ele propõe uma política que valoriza a gestão pública, com forte investimento em infraestrutura, condições de trabalho para os profissionais e a criação de um ambiente educacional verdadeiramente inclusivo e democrático.

Boulos traz uma proposta clara de expansão gradual da educação integral, transformando as escolas em espaços de convivência, pertencimento e cooperação com a comunidade. Diferente do que propõe Nunes, Boulos prevê não apenas a ampliação da jornada escolar, mas também a oferta de atividades culturais, esportivas e de lazer no contraturno, com modernização das escolas e valorização dos professores. O diálogo com a comunidade escolar será uma premissa central de sua gestão, garantindo que o ensino integral não se torne um depósito de crianças, mas sim uma oportunidade de desenvolvimento integral para os alunos.

Outro ponto crucial no plano de Boulos é a questão da saúde mental nas escolas. Ele propõe a presença de psicólogos em todas as unidades, em parceria com a área da saúde, para lidar com o aumento dos problemas de saúde mental entre crianças e jovens. Essa medida é fundamental para combater a evasão escolar e garantir um ambiente saudável para o aprendizado.

Além disso, Boulos se compromete com a erradicação do analfabetismo, propondo um grande mutirão em parceria com entidades da sociedade civil, em sintonia com o MOVA (Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos) e os CIEJAs. Sua política de valorização dos educadores inclui a revogação do Sampaprev, garantindo que os servidores sejam realmente respeitados e valorizados.

Conclusão: derrotar Nunes para evitar o apagão educacional

A gestão de Ricardo Nunes se apoia em propagandas que mascaram a realidade de uma educação pública cada vez mais precarizada e privatizada. Ao confiscar salários, terceirizar creches e desmantelar a gestão democrática dos CEUs, Nunes revela que seu compromisso não é com a qualidade da educação, mas com a manutenção de um sistema que penaliza servidores e estudantes. A continuidade proposta por Nunes não é progresso; é a perpetuação de um modelo que falhou em atender as metas educacionais e que negligencia o papel fundamental da escola pública como um direito de todos.

É crucial que todos os eleitores, pais, professores e cidadãos comprometidos com o futuro de São Paulo se mobilizem para derrotar as propostas de Nunes. Se não fizermos isso agora, estaremos diante de um verdadeiro apagão educacional, similar ao recente apagão de energia que expôs a incompetência de sua gestão. A candidatura de Guilherme Boulos é a única capaz de reverter esse quadro. Boulos apresenta uma visão de educação que resgata a gestão pública, valoriza os profissionais da educação e coloca o desenvolvimento integral dos estudantes no centro das políticas públicas.

Se queremos uma educação pública de qualidade, inclusiva e verdadeiramente democrática, Guilherme Boulos é a escolha clara e necessária para impedir que São Paulo mergulhe no apagão educacional que Ricardo Nunes já começou a construir.

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