Netanyahu sofre sua maior derrota, diz especialista a jornal

Joost Hiltermann, analista de Oriente Médio da ONG internacional Crisis Group, disse, ao O Globo, que o Hamas já venceu do ponto de vista psicológico e político

Área fortemente atingida no centro de Gaza. Foto: UN News/Ziad Taleb

O ataque surpresa do Hamas a Israel foi a maior derrota na carreira do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, de acordo com Joost Hiltermann, analista de Oriente Médio da ONG internacional Crisis Group. Ele concedeu entrevista ao jornal O Globo em que revela que os desdobramentos ainda podem envolver outros atores regionais, situação que pode ampliar a guerra no Oriente Médio.

Porém o mais relevante é que a falta de resposta rápida e as ações do governo de direita de Netanyahu fizeram com que tenham perdido sua moral.

Segundo Hiltermann, a guerra do ponto de vista militar pode ser vencida por Israel com facilidade se o oponente for apenas o Hamas. De qualquer maneira, do ponto de vista psicológico e político, o Hamas já venceu ao conseguir driblar a inteligência israelense e atacar o país dentro de seu território. Para o analista, a inteligência israelense subestimou a capacidade do grupo palestino, que efetivamente pegou a todos de surpresa.

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Para o especialista, a magnitude do ataque mostrou grande coordenação e acesso à equipamentos. Além disso, parte do arsenal não tem sofisticação, sendo pequenos o suficiente para serem construídos em casa, por isso puderam construir munição ao longo do tempo.

Em sua análise destaca que o motivo que levou o povo palestino a atual situação é o desespero da opressão que vivenciam, mas ponderou que muitos meios utilizados para atacar e capturar civis são condenáveis.

Entre os motivos que levaram a este gatilho da guerra ele cita o histórico de conflitos ao longo das décadas, somados aos recentes casos de violência em Jerusalém e às opressões promovidas pelo Exército de Israel em Gaza.

Sobre as declarações de Netanyahu de atacar todos os pontos de organização do Hamas, Joost Hiltermann lembra que esta é uma estratégia problemática, sendo que os locais são permeados por civis.

Como conclusão, ao observar a guerra de forma geral, aponta para excessos de ambos os lados pela violação de leis internacionais ao envolverem civis de forma indiscriminada. No entanto, coloca que a dimensão de análise sobre a ocupação militar de Israel é conflituosa e causadora dos conflitos, portanto carece de uma resolução negociada.

*Informações O Globo. Edição Vermelho, Murilo da Silva

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