Quadra chuvosa acima da média renova esperança de cearenses
As chuvas de fevereiro de 2017 superaram em 32,8% a média histórica para o mês no Ceará. Com média de 118 milímetros (mm), o Estado viu cair 157,5mm e aumentar a esperança num bom inverno.
Publicado 02/03/2017 11:16 | Editado 04/03/2020 16:23

“Oh! Deus, perdoe este pobre coitado que de joelhos rezou um bocado pedindo pra chuva cair sem parar”. Composta pelo mestre Luiz Gonzaga, a canção “Súplica Cearense” ainda é atual e motivo de preocupação de cearenses e nordestinos. Do século passado aos dias de hoje, permanece o clamor por chuvas para amenizar os impactos da seca, que castiga, assola e preocupa.
Mas as últimas precipitações reforçam a expectativa de agricultores, estudiosos e governos. Considerado o primeiro mês da chamada “quadra invernosa”, o Ceará comemora as precipitações, que superaram a média histórica de chuvas no Estado, sendo o melhor começo dos últimos sete anos. Se comparado ao ano passado, quando choveu 53,2mm, as chuvas de fevereiro deste ano foram quase três vezes maior.
Mas mesmo com o animador cenário, os técnicos da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) ainda mantêm cautela. Segundo Raul Fritz, o prognóstico para a quadra chuvosa, que abrange os meses de fevereiro, março, abril e maio, está mantido. Segundo ele, a probabilidade é de chuvas dentro da média histórica no Ceará. “Ainda corremos risco em relação à quantidade de chuva de que necessitamos para sairmos totalmente da condição de seca”, alerta.
A preocupação continua, mas a fé do cearense a espera de dias “bonitos pra chover” teima em se fortalecer. Mesmo com precipitações em todas as regiões do Estado, ainda preocupa o nível de armazenamento dos reservatórios de água. Com as chuvas de fevereiro, o aporte nos açudes foi mais que o dobro registrado no mesmo período do ano passado. Atualmente, os 153 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) têm apenas 6,53% da capacidade total.
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Segundo as previsões da Funceme, as chuvas devem continuar em todo o Estado neste mês de março, aumentando a expectativa de recarga dos reservatórios.
Os 153 reservatórios monitorados pela Cogerh tiveram aumento de volume. O aporte foi de 142,2 milhões de metros cúbicos (m³).
Quatro deixaram de estar secos, um saiu do volume morto e outro já está transbordando. Mesmo assim, ainda há 32 açudes secos e 51 no volume morto.
Os três maiores açudes do Ceará são o Castanhão, maior açude público do Brasil, com capacidade de 6,7 bilhões de m³; o Orós (1,9 bilhão de m³) e Banabuiú (1,6 bilhão de m³).