Chanceler argentina vota a favor de Cuba na ONU e é demitida por Milei
Diana Mondino perdeu o cargo após a Argentina condenar o embargo econômico dos EUA contra Cuba. Economista foi uma das encarregadas de colocar panos quentes na relação com Brasil
Publicado 31/10/2024 18:27 | Editado 31/10/2024 19:12

O presidente da Argentina, Javier Milei, derrubou nesta quarta (30) a chanceler Diana Mondino, após o país se posicionar a favor de Cuba em uma votação na ONU. Mondino era uma das ministra com maior projeção no início do mandato, mas passou a ser desgastada pelo mandatário da Casa Rosada.
O novo chefe do Ministério das Relações Exteriores será Gerardo Werthein, hoje embaixador argentino nos Estados Unidos. Milei busca ter Washington como aliado de primeira hora, e Werthein era um dos protagonistas da estratégia do ultraliberal.
Milei demitiu Mondino após a Argentina votar a favor de uma resolução que defende o fim do embargo comercial dos Estados Unidos a Cuba. O assunto foi discutido na Assembleia Geral das Nações Unidas nesta quarta.
A resolução foi aprovada com 187 votos a favor, incluindo o do Brasil. Estados Unidos e Israel foram os únicos países que votaram contra. Essa é a 32ª vez que o tema foi votado na ONU.
De acordo com o jornal argentino “La Nación”, o presidente teria ficado furioso com a chanceler, já que o país se posicionou ao lado de “comunistas” e se distanciou dos Estados Unidos.
Em comunicado, o gabinete presidencial afirmou que a Argentina atravessa um período de mudanças profundas, exigindo que o corpo diplomático reflita as características das democracias ocidentais.
“Nosso país se opõe categoricamente à ditadura cubana e se manterá firme na promoção de uma política exterior que condene todos os regimes de perpetuação da violação dos direitos humanos e liberdades individuais”, afirmou.
O governo também anunciou que fará uma auditoria na Chancelaria para identificar impulsionadores de “agendas inimigas da liberdade”.
Durante seu mandato, Diana Mondino defendeu a relevância da relação bilateral Brasil-Argentina, ainda que Milei e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se falem. Ela tinha relação próxima com o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, e buscava visão mais pragmática sobre alguns temas.
Ela foi enviada ao Brasil ainda antes de o ultraliberal ser empossado para colocar panos quentes na relação estremecida entre os dois países após Milei disparar críticas contra Lula na campanha.