Brasil condena ataque de Israel que matou 93 em Gaza

Ataque ocorreu no município de Beit Lahia, no norte de Gaza, onde um cerco israelense já matou quase 350 pessoas. Itamaraty fez apelo por cessar-fogo “permanente e abrangente”

Itamaraty | Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou nesta quarta (30) os ataques israelenses contra um edifício residencial em Beit Lahia, na Faixa de Gaza, que deixou ao menos 93 mortos. Em nota, o ministério das Relações Exteriores também criticou a “imposição de obstáculos ao ingresso de ajuda humanitária”.

“O governo brasileiro condena o bombardeio israelense realizado ontem, dia 29, contra edifício residencial em Beit Lahia, no norte da Faixa de Gaza. Deplora, nesse contexto, a intensificação das operações militares israelenses nessa parte da Faixa, com frequentes ataques a residências e infraestruturas civis, incluindo escolas, hospitais e abrigos, em Jabalia, Beit Hanoun e Beit Lahia”, afirma o Itamaraty.

O ataque vitimou dezenas de crianças e mulheres, de acordo com autoridades locais. Há semanas o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tem promovido cercos e bombardeios ao norte de Gaza, mantendo a promessa de aniquilar todos os membros do Hamas.

No comunicado, o Itamaraty “recorda a obrigação, de acordo com o Direito Internacional Humanitário, de que Israel tome as medidas necessárias para proteger a população civil nos territórios ocupados”.

Desde o início do conflito mais de 43 mil palestinos morreram na Faixa de Gaza, a grande maioria mulheres e crianças.

“O Brasil manifesta preocupação com a imposição de obstáculos ao ingresso de ajuda humanitária no Norte da Faixa e com as ordens de evacuação emitidas pelas forças israelenses para a população na região, ação que ameaça provocar novo deslocamento forçado de milhares de civis”, conclui.

Nesta quarta, o município de Beit Lahia declarou estado de desastre após bombardeios de Israel durante a madrugada. O ataque matou outras 8 pessoas.

“Declaramos estado de desastre na área da cidade, devido à guerra de extermínio e cerco de Israel. Não temos comida, água, hospitais, médicos, serviços ou meios de comunicação”, declarou a administração local em comunicado.

No total, os bombardeios israelenses mataram quase 350 pessoas no norte da Faixa de Gaza entre 24 e 29 de outubro, de acordo com dados do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Tor Wennesland, encarregado especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, nomeou a ação como “mais um ataque mortal da sequência de ‘incidentes com vítimas em massa’, […] que levanta sérias preocupações sobre a violação de direitos internacionais”.

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