Com disputa eleitoral acirrada, Trump promete entregar EUA a Musk

Com Trump, Musk pode liderar ‘comissão de eficiência’ governamental, controlando órgãos reguladores, apesar de impasses jurídicos e bilhões em contratos federais

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“A influência de Elon Musk sobre o governo federal é extraordinária e extraordinariamente lucrativa”, publicou o jornal americano The New York Times, no último domingo (20). Diante de um forte quadro de incerteza no rumo das eleições presidenciais nos Estados Unidos, no próximo dia 5 de novembro, o ex-presidente Donald Trump aposta todas as fichas no homem mais rico do mundo. 

Alçado nas últimas semanas como cabo eleitoral da extrema direita americana, Musk recebeu como contra-partida do candidato republicano a promessa de que será o responsável por cuidar das agências reguladoras, que fiscalizam os serviços prestados por setores da economia onde atuam as inúmeras empresas do sul-africano.

No estágio atual da corrida à Casa Branca, o apoio de Musk parece ser decisivo para a campanha republicana, que viu a ampla vantagem das intenções de voto para os democratas se transformar em um empate técnico.

No levantamento mais recente, elaborado pela agência de notícias Reuters e o Instituto Ipsos, e divulgado nesta terça (22), a candidata democrata Kamala Harris aparece ligeiramente à frente do republicano, com 46% contra 43% das intenções de voto, o que configura empate técnico.

Isso significa que a eleição deve ser decidida voto a voto e, atualmente, aponta para um cenário indefinido. Diante deste cenário, o bilionário da tecnologia anunciou que doará US$ 1 milhão por dia para eleitores registrados em estados indecisos. 

“Queremos tentar fazer com que mais de um milhão, talvez dois milhões de eleitores nos campos de batalha assinem a petição em apoio à Primeira e Segunda Emenda. […] Nós vamos premiar aleatoriamente, com US$1 milhão, pessoas que assinaram a petição, todos os dias, de agora até a eleição”, disse Musk em um evento da campanha em Harrisburg, Pensilvânia, considerado o estado mais decisivo do país.

O proprietário do X e CEO da Tesla se referia a uma petição lançada por seu comitê de ação política afirmando suposto apoio aos direitos à liberdade de expressão e ao porte de armas. O site, lançado pouco antes de alguns prazos de registro, diz: “este programa é aberto exclusivamente a eleitores registrados na Pensilvânia, Geórgia, Nevada, Arizona, Michigan, Wisconsin e Carolina do Norte”.

A declaração imediatamente atraiu a atenção de especialistas em direito eleitoral, que disseram que o sorteio poderia violar leis contra o pagamento de pessoas para se registrar.

Musk, o homem mais rico do mundo, doou mais de US$75 milhões para seu super PAC (Comitê de Ação Política) pró-Trump e disse que espera que o sorteio aumente o registro entre os eleitores de Trump. Ele recentemente entrou na campanha da Pensilvânia, realizando eventos defendendo Trump, promovendo sua petição e espalhando teorias da conspiração sobre a eleição de 2020.

“Este é um pedido único”, Musk disse à multidão logo após anunciar o prêmio de US$ 1 milhão. “Basta sair e conversar com seus amigos, familiares, conhecidos e pessoas que você ver na rua e convencê-los a votar. Obviamente, você precisa se registrar, certificar-se de que eles estejam registrados e… certificar-se de que eles votem.”

Promessas de Trump à Musk

A análise do The New York Times, publicada no domingo, sobre os negócios de Elon Musk com o governo federal dos EUA revela sua significativa influência e a lucratividade desta influência. 

Entre 2013 e 2023, empresas como SpaceX e Tesla firmaram quase 100 contratos com 17 agências federais, totalizando bilhões de dólares. A SpaceX, por exemplo, é crucial para a NASA e o Departamento de Defesa, enquanto outras agências dependem de seus serviços para funcionar.

Além de ser um importante fornecedor do governo, Musk tem disputas acirradas com agências reguladoras sobre segurança e impacto ambiental. Suas empresas foram alvo de pelo menos 20 investigações ou revisões recentes, incluindo sobre a segurança de produtos da Tesla, sua montadora de carros elétricos, e danos ambientais causados pelos foguetes da SpaceX.

Dada a imensa presença de Musk, ele será um ator importante no trato com o governo, independentemente de quem vencer a eleição.

Mas o bilionário colocou sua fortuna e seu poder a serviço do ex-presidente Donald Trump; em troca, o republicano prometeu fazer de Musk o chefe de uma nova “comissão de eficiência governamental” com o poder de recomendar cortes em agências reguladoras e mudanças em regulamentações federais.

Isso daria ao homem mais rico do mundo e grande contratante do governo o poder de regular os reguladores que têm influência sobre suas empresas, resultando, portanto, em um potencial —e enorme— conflito de interesses.

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