Servidores do IBGE fazem greve de 24 horas contra desmonte de estrutura
Na pauta de reivindicação, o sindicato também se posiciona contra a criação da Fundação IBGE+, que colocaria em risco as políticas públicas do órgão
Publicado 15/10/2024 13:19 | Editado 15/10/2024 20:27

Os funcionários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que atuam na Unidade Chile, sede localizada no centro do Rio de Janeiro, realizam nesta terça-feira (15) greve de 24 horas contra a transferência deles para o prédio do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), no bairro Horto Florestal.
De acordo com o sindicato dos servidores do IBGE, a Assibge, os servidores do Complexo Chile paralisam suas atividades presenciais, híbrida ou remota durante todo o dia de hoje.
“Não ao desmonte do IBGE! Estamos vivendo um momento crítico no IBGE, onde a direção parece decidida a desmontar a estrutura da instituição sem sequer dialogar com os servidores. A decisão de distribuir as diretorias entre diferentes prédios, incluindo o Horto Florestal, sem um planejamento claro e transparente, ameaça a eficiência e a coesão do nosso trabalho”, diz postagem do movimento no Instagram
“Lembramos que já passamos por essa história antes, quando o IBGE deixou prédios próprios para pagar aluguel em edifícios no Centro do Rio. Agora, o ciclo se repete com a proposta de fragmentar ainda mais nossas operações”, completa o sindicato.
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Na pauta de reivindicação, o sindicato também se posiciona contra a criação da Fundação IBGE+, que colocaria em risco as políticas públicas do órgão.
“No dia 9 de setembro, os servidores do IBGE tomaram ciência de que o presidente do IBGE havia criado uma Fundação Pública de Direito Privado, a IBGE+. Trata-se de uma mudança estrutural, que traz riscos de diversas ordens”, acusa o movimento na carta à sociedade.
Entre os riscos previstos, o sindicato diz que está a captura da produção de informações estatísticas e geocientíficas por interesses privados, na medida em que a Fundação poderá atuar vendendo pesquisas e levantamentos ao setor privado.
Também destaca a ameaça à autonomia do órgão, uma vez que a Fundação permite a contratação ilimitada de pessoas externas em cargos de livre nomeação, o que pode resultar na falta de credibilidade. Isso porque, o órgão poderá produzir pesquisas e levantamentos sem os padrões de qualidade e independência.
Outro problema é o jurídico, visto que a criação de uma fundação pública de direito privado demanda autorização em lei específica.
“Todos esses riscos foram bastante amplificados pela forma como a direção do IBGE criou a fundação de direito privado: por nove meses os procedimentos para a criação da fundação foram tratados às escondidas, e os servidores foram comunicados apenas dois meses após o registro em cartório. Não houve, portanto, nenhum processo institucional de avaliação, impedindo a adoção de medidas que poderiam mitigar riscos”, critica.
Para a Assibge, é preciso que o tema seja debatido pelo conjunto da sociedade. “Convidamos todos os sindicatos, movimentos sociais, parlamentares, sociedades científicas e outras organizações sociais a expressarem seu repúdio a essa medida privatizante”, conclama.