Lula celebra crescimento eleitoral e entrega moradia e ônibus escolares no Ceará

Em Fortaleza, o presidente teve agenda intensa de entrevistas, além de entrega de 1300 moradias na capital e 113 ônibus para escolas de municípios distantes.

Após entrevista à rádio em Fortaleza, Lula fez a entrega de 1300 moradias com área de lazer. Foto Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva amanheceu, nesta sexta-feira (11), falando aos cearenses por meio de rádio, depois seguiu para entregar cerca de 1.300 moradias para os moradores de Fortaleza. O presidente também entregou, nesta tarde, 113 novos ônibus escolares para municípios cearenses. A entrega do Ministério da Educação (MEC) está incluída no Novo PAC e visa beneficiar, especialmente, estudantes do Ensino Fundamental e Médio da zona rural. Alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) também foram beneficiados. A ação atinge 13,5 mil estudantes.

Na entrevista concedida à rádio Povo CBN, de Fortaleza, o presidente fez uma análise detalhada do cenário político das eleições municipais de 2024, com foco no desempenho do Partido dos Trabalhadores (PT). Lula destacou o crescimento da sigla, que aumentou o número de prefeituras de 183 para 248 em todo o Brasil e alcançou o segundo turno em 13 cidades, incluindo quatro capitais: Fortaleza, Porto Alegre, Cuiabá e Natal.

O presidente expressou otimismo com os resultados, especialmente no Nordeste, onde o PT conseguiu eleger prefeitos em cinco capitais. “Nós tivemos uma boa participação no Rio Grande do Sul e no Nordeste, mas não fomos tão bem em estados como São Paulo e Minas Gerais”, comentou. Lula ressaltou que o partido está em uma disputa crucial em Fortaleza, cidade que, segundo ele, “é a mais importante dessas capitais, do ponto de vista da população”.

Apesar do avanço significativo, Lula lembrou que o número de prefeituras não é o único indicador de sucesso. “Nós já governamos grandes cidades como São Paulo e Porto Alegre, mas também perdemos municípios importantes, como São Bernardo e Santo André”, refletiu o presidente, reforçando que oscilações são naturais no cenário político.

Fortaleza no radar eleitoral

Na entrevista, Lula expressou confiança na candidatura de Evandro Leitão (PT) à prefeitura de Fortaleza, que disputa o segundo turno com André Fernandes (PL) em situação de empate técnico. O presidente ressaltou o apoio das maiores lideranças locais, como o ex-governador Camilo Santana e o atual governador Elmano de Freitas, o que, segundo ele, fortalece as chances de vitória do partido. “Eu estou confiante de que o Evandro vai ser o prefeito de Fortaleza”, afirmou.

Lula também comentou que o resultado apertado em algumas cidades não é incomum, mencionando o caso de Teresina, onde o PT estava bem posicionado até dias antes da eleição, mas não conseguiu vencer. “Eleição é sempre cheia de surpresas”, ponderou.

Reformas e justiça tributária

Além das questões eleitorais, o presidente abordou temas centrais da agenda de seu governo, como a reforma tributária. “Você não pode cobrar 27% ou 15% de um trabalhador que ganha R$ 4 mil e deixar quem vive de dividendos e heranças sem pagar imposto”, criticou o presidente.

Lula enfatizou a necessidade de criar um sistema mais justo, que isente do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil mensais, financiando essa medida com a taxação de grandes fortunas. “O sistema tributário atual penaliza os trabalhadores. Nós precisamos corrigir isso, para que quem vive de dividendos e heranças também contribua mais”, argumentou.

Ele também discutiu medidas voltadas à proteção dos trabalhadores, como o controle dos juros do crédito consignado e o estímulo ao microcrédito, por meio do programa “Credita”, voltado para pequenos empreendedores e trabalhadores autônomos. “O dinheiro tem que circular na mão do povo. Isso é o que gera riqueza”, afirmou.

O presidente também mencionou os esforços do governo em criar um ambiente mais seguro para investimentos estrangeiros, por meio de uma “rede cambial”, que oferece garantias para que os investidores não percam com variações no câmbio.

Ele reconheceu as mudanças no perfil do trabalhador brasileiro e a necessidade de se adequar às novas realidades do mercado de trabalho, marcado por um aumento no número de trabalhadores autônomos e por aplicativos. “O trabalhador de carteira assinada, que habitualmente representávamos, hoje é bem menor”, afirmou, citando como exemplo a queda no número de funcionários de fábricas como a Volkswagen. Para o presidente, essa mudança é reflexo de transformações no mercado de trabalho, com muitos brasileiros optando por trabalhar como autônomos ou empreendedores. Ele destacou a importância de adaptar o discurso a essa nova realidade.

Lula ressaltou que o PT precisa se comunicar melhor com trabalhadores de aplicativos e outros profissionais que não se identificam com sindicatos tradicionais. “Esses trabalhadores não querem necessariamente carteira assinada, mas querem ser autônomos com direitos. Precisamos nos preocupar com a previdência, porque eles podem adoecer, envelhecer e precisam de garantias”, explicou o presidente.

Segurança pública e crime organizado

Outro ponto discutido foi a segurança pública, um tema de grande relevância no Ceará. Lula admitiu que, embora a segurança seja uma responsabilidade dos estados, o governo federal precisa estar mais presente, especialmente no combate ao crime organizado. Ele citou a proposta de emenda constitucional que está sendo trabalhada pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para ampliar a colaboração entre forças federais e estaduais.

Ele ainda mencionou que durante o governo anterior, houve uma liberação excessiva de armas que beneficiou o crime organizado, e destacou a necessidade de maior controle sobre as fronteiras e o comércio de armas. “O crime organizado virou uma multinacional, e nós precisamos enfrentá-lo de maneira coordenada”, declarou.

Relação com os prefeitos

Ele abordou a relação entre prefeitos e o governo federal, ressaltando que o desempenho de um prefeito em seu segundo mandato nem sempre reflete diretamente nas eleições presidenciais futuras. Segundo Lula, as eleições municipais, embora fundamentais, têm pouca influência direta sobre o cenário presidencial.

“A eleição de prefeito, na verdade, não tem muita incidência numa eleição presidencial”, disse Lula. Ele explicou que, em muitas ocasiões, os prefeitos no segundo ano de mandato começam a enfrentar cobranças mais severas da população, pois é nesse momento que o povo espera resultados concretos. No primeiro ano, o prefeito herda o orçamento do antecessor e ainda está em fase de ajuste, mas no segundo ano as expectativas começam a pesar.

Lula defendeu uma postura republicana no relacionamento entre o governo federal e os prefeitos, independentemente de filiação partidária. Ele deu como exemplo um prefeito bolsonarista de Pernambuco, que recebeu investimentos do governo federal. “Meu compromisso é com o povo, não com o prefeito”, frisou.

Morar com lazer para crianças

Após a entrevista, o presidente Lula seguiu com agenda na capital cearense, quando entregou 1.296 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida em Fortaleza (CE). Com investimento de R$ 115, 7 milhões, os apartamentos são distribuídos em 81 blocos de quatro andares, com quatro unidades por pavimento.

Do valor total do investimento, R$ 100,5 milhões foram do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) e R$ 15,2 milhões de contrapartida do governo do Ceará.

Durante o evento, Lula ressaltou a importância de empreendimentos habitacionais que ofereçam moradia e espaços de lazer e educação para os moradores. Ele destacou o papel das zonas vivas, áreas integradas com infraestrutura para lazer e cultura, como a biblioteca entregue no residencial.

“Tudo aquilo que vocês viram na Zona Viva, aqueles brinquedos para as crianças, a biblioteca, a área de computação, tudo que você viu ali custou apenas R$ 500 mil. Portanto, é plenamente possível que todo conjunto habitacional tenha não apenas quatro paredes para as pessoas morarem, mas tenha também área de lazer e conforto fora de casa”, enfatizou o presidente.

Lula também apresentou sua visão para o futuro do programa Minha Casa, Minha Vida, enfatizando que a meta do governo federal é garantir que as novas moradias ofereçam mais do que apenas habitação básica. “Vocês agora estão lascados comigo, porque as casas vão ter que ter mais coisa para que a gente possa garantir o mínimo de decência”, disse.

“Assumimos o compromisso de construir mais 2 milhões de casas, e só faltam 2 anos e 3 meses para terminar o meu mandato”, afirmou o presidente, assegurando que a meta será cumprida.

Investimento no Ceará

No estado do Ceará, o governo Lula, por meio do Ministério das Cidades (MCid), tem investimentos ativos no montante de R$ 6,69 bilhões em 175 municípios. São R$ 4,2 bilhões com obras do Novo PAC e cerca de R$ 2 bilhões para 15,7 mil unidades habitacionais conectadas ao Minha Casa, MInha Vida. Na capital, Fortaleza, são R$ 2,8 bilhões no Novo PAC e cerca de R$ 662 milhões com novas 4,3 mil moradias no Minha Casa Minha Vida.

O Novo PAC Seleções já recebeu investimentos de R$ 4,2 bilhões no Ceará. Foram R$ 2,3 bilhões em mobilidade urbana; R$ 702 milhões em esgotamento sanitário; R$ 492 milhões em abastecimento de água – Urbano; R$ 239,8 milhões em urbanização; R$ 220 milhões no Refrota; R$ 196 milhões em drenagem; R$ 47,3 milhões em abastecimento de água – Rural; e R$ 13,5 milhões em Regularização Fundiária.

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