EUA se preparam para enfrentar a pior temporada de furacões

A chegada do Furacão Milton na costa da Flórida nesta madrugada promove a evacuação obrigatória da população. Ventos podem chegar a 215 km/h

Furacão Milton visto do espaço. Foto: Estação Espacial Internacional

No fim da noite desta quarta-feira (9), o furacão Milton chegará na costa da Flórida, nos Estados Unidos. Os ventos fortes e a chuva que prenunciam o caminho que o furacão deve percorrer vindo do oceano já alcançam o continente. A situação, acompanhada há semanas pelas autoridades, fez com que ordens de evacuação em mais de uma dezena de condados no estado norte-americano fossem emitidas.

Os alertas colocam toda a região de Tampa Bay sob risco, uma vez que não é possível precisar o caminho exato que o furacão irá percorrer.

Uma população total de 5,9 milhão de pessoas foi alertada a se prevenir. Estima-se que mais de 30 mil pessoas estão em abrigos, principalmente as que vivem próximo à faixa litorânea. Os alerta provocaram um verdadeiro êxodo em fuga da região.

De acordo com o presidente Joe Biden, o furacão Milton pode ser o pior a atingir a Flórida em mais de 100 anos.

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A situação é especialmente trágica, pois há duas semana o furacão Helene causou estragos no estado. Helene foi classificado como categoria 4, já o Milton é categoria 5. Até então, Helene tem sido o evento climático mais mortal, com mais de 234 vítimas, desde o Katrina, em 2005.

No entanto, Milton por sua magnitude e ventos que podem chegar a 215 km/h pode ser ainda mais fatal a depender da evacuação da população e do caminho que o furacão tomar.

Mudanças no clima

Esta temporada de furacões tem sido analisada com base nas alterações climáticas. Ainda que a região tenha eventos do tipo, a recorrência deles em tão pouco tempo e o aumento na intensidade tem levantado a suspeita de que as mudanças do clima estão contribuindo também para isto.

Segundo cientistas reunidos no grupo WWA (World Weather Attribution), o furacão Helene teve chuvas e ventos até 10% mais intensos devido à mudança do clima. Conforme apontam, ainda que a porcentagem pareça baixa, ela potencializa o evento em estragos, sendo que a queima de combustíveis fósseis torna os furacões como o Helene cerca de 2,5 vezes mais prováveis, o que significa passar de uma escala de ocorrência de 130 anos para a cada 53 anos, em média.