Profissionais de saúde no Líbano foram mortos por Israel, afirma OMS
Segundo a agência de saúde, 28 profissionais morreram durantes ataques aéreos de Israel contra o Hezbollah. Ministério da Saúde do país fala em 40 mortos em três dias
Publicado 04/10/2024 10:14 | Editado 04/10/2024 10:24

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta quinta (3) que pelo menos 28 médicos em serviço foram mortos no Líbano por causa das ações militares de Israel na região sul do país. A informação foi dada pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom.
“Muitos profissionais de saúde não estão se apresentando ao serviço e fugiram das áreas onde trabalham devido aos bombardeios”, afirmou o diretor em entrevista coletiva online, pedindo mais proteção para esses profissionais.
“Isso está limitando severamente o fornecimento de gerenciamento de traumas em massa e a continuidade dos serviços de saúde”, disse.
A região tem sido alvo da vingança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e a coalizão de extrema direita que o sustenta no poder. Desde o atentado impetrado pelo Hamas no dia 7 de outubro, quando 1.200 israelenses foram assassinados, Netanyahu tem atendido o grupo ortodoxo e supremacista do Knesset (o parlamento israelense) ao bombardear diversos países da região, deixando um rastro de sangue e destruição pelo Oriente Médio.
Após liquidar toda a estrutura civil da Faixa de Gaza e deixando mais de 40 mil mortos e 100 mil feridos, Netanyahu agora passa a focar seu poderio militar no Líbano, onde atua o grupo xiita Hezbollah, pertencente ao chamado Eixo da Resistência (proxies do Irã).
Desde o 7 de outubro, o exército israleense e o grupo xiita têm trocado agressões na fronteira. Nas últimas semanas, no entanto, o conflito escalou. Quase 2 mil pessoas foram mortas, incluindo 127 crianças, e 9.384 ficaram feridas desde o início dos ataques israelenses ao Líbano no ano passado, segundo o Ministério da Saúde do país.
Planejada para esta sexta, a agência de saúde afirmou ainda que não será capaz de entregar uma grande remessa planejada de suprimentos médicos e de trauma para o país, devido a restrições de voo, acrescentou.
O representante da OMS no Líbano, o médico Abdinasir Abubakar, informou, na entrevista coletiva, que todos os profissionais de saúde mortos estavam em serviço, ajudando com os feridos.
“Os hospitais já foram esvaziados. Acho que o que posso dizer por enquanto é que a capacidade de gerenciamento de vítimas em massa existe, mas é apenas uma questão de tempo até que o sistema realmente atinja seu limite”, disse Abubakar.
Em declaração paralela, o ministro da Saúde libanês, Firass Abiad, informou ainda que 40 trabalhadores das equipes de ambulâncias e bombeiros foram mortos nos últimos três dias no Líbano.