Agência Moody’s eleva nota do Brasil em perspectiva positiva

Agência de classificação de riscos elevou a nota de crédito de Ba2 para Ba1, um selo de bom pagador que assegura baixo risco de calotes aos investidores

Fernando Haddad e Lula. Foto: Ricardo Stuckert

O ministério da Fazenda afirmou em nota, nesta terça (1), que a elevação da nota de crédito do Brasil pela agência Moody’s “reflete o reconhecimento dos avanços nas contas públicas, de um cenário propício ao crescimento e da solidez dos fundamentos da economia brasileira”. A agência de classificação de riscos elevou a nota de crédito soberano do Brasil de Ba2 para Ba1.

O Brasil ainda está a um passo do chamado grau de investimento, quando o país é considerado seguro —ou seja, com baixos riscos de calote para quem investe em seus títulos de dívida.

A melhora na nota de crédito ocorre na semana seguinte ao encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com dirigentes das principais agências de classificação de risco em Nova York, durante viagem para participar da Assembleia-Geral da ONU.

Em seu comunicado, a agência mencionou a melhora significativa no crédito do país, que se deve ao crescimento robusto da economia e às reformas econômicas e fiscais recentes. A Moody’s ressaltou a relevância do compromisso com as metas fiscais e com a trajetória de estabilização da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

As notas de crédito dos títulos de dívida do governo estavam inalteradas pela agência desde 2016.

Entre as reformas mais importantes, a Moody’s destacou a reforma tributária. Segundo a agência, o novo sistema aprimorará o ambiente de negócios e a alocação de recursos, aumentando o potencial de crescimento no longo prazo. A Moody’s também mencionou a agenda de transição energética para atrair investimentos privados e reduzir a vulnerabilidade do país a choques climáticos.

Em relação às contas públicas, o comunicado informou que a Moody’s espera uma melhora gradual nos resultados primários do governo nos próximos três anos. A agência se baseia nos esforços para aumentar as receitas, principalmente por meio de medidas de arrecadação das classes mais ricas, e nas iniciativas de revisão de despesas.

Apesar da dívida pública e dos juros elevados, a Moody’s destacou que o Brasil tem expressivos ativos líquidos. Desde 2006, o país é credor externo, com as reservas internacionais superando a dívida externa. A agência também destacou que o governo brasileiro se financia principalmente em moeda local no mercado doméstico, em vez de buscar moeda estrangeira no mercado internacional.

Em nota, o Ministério da Fazenda informou que o governo está empenhado em melhorar as contas públicas, esforçando-se para aumentar a arrecadação e segurar gastos.

“Além de estabilizar a relação dívida/PIB, um balanço fiscal mais robusto contribuirá para a redução das taxas de juros e a melhoria das condições de crédito, criando um ambiente favorável à expansão dos investimentos públicos e privados”, destacou a pasta.

Desde o início de 2017, a Moody’s classifica o país dois níveis abaixo do grau de investimento. A nota é melhor que a de outras agências. Em julho de 2023, a Fitch elevou a nota brasileira para dois níveis abaixo do grau de investimento. Em dezembro do ano passado, a S&P Global também elevou a classificação do país para dois níveis abaixo do grau de investimento.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comemorou a elevação da nota de crédito do país. “Estamos a meio degrau de grau de investimento, porque estamos a um degrau com viés positivo”, afirmou.

“Não está dado. Temos um trabalho a fazer, mas é uma possibilidade concreta. O que parecia muito distante, parece que está à mão, se não tivermos receio de tomar medidas necessárias para o reequilíbrio das contas”, disse em coletiva.“Não é uma linha reta, o governo às vezes tropeça, toma uma medida e revê. Tem havido espaço necessário para voltarmos à mesa’, afirmou, citando que Lula já autorizou a discussão do vale gás para que caiba dentro do arcabouço.

“Estamos convencidos que o caminho é esse. Estamos enfrentando os problemas sociais, mas tem a maneira correta de fazer isso, o que também resulta em benefício social, que é emprego em alta e inflação em baixa”, concluiu.

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