Lula entrega 280 ambulâncias ao Samu e critica abandono da saúde por outros governos
Sem citar nomes, presidente lembrou da gestão irresponsável de Bolsonaro na pandemia e do sucateamento do Samu. Meta do governo é renovar 60% da frota até o final do ano
Publicado 04/07/2024 15:34 | Editado 04/07/2024 19:11

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quinta-feira (4), em ato na cidade de Salto (SP), a entrega de 280 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência 192 (Samu) para 248 municípios de 24 estados. A meta é que até o final do ano 1.780 novos veículos sejam disponibilizados, de maneira a renovar 60% de toda a frota.
Sem citar nomes, Lula também criticou a gestão irresponsável de Jair Bolsonaro (PL) na área da saúde, sobretudo no que diz respeito ao enfrentamento à pandemia, e o fato de o governador Tarcísio de Freitas (REP) não ter participado dos atos para os quais foi convidado na passagem de Lula pelo estado.
“A Covid chegou num momento em que a gente tinha um governante irresponsável, que brincou com o povo brasileiro. E quem evitou uma desgraça maior no país foi a existência do Samu, das nossas enfermeiras e enfermeiros, dos nossos funcionários, muitos dos quais perderam a vida tentando salvar outras vidas”, lembrou Lula.
O presidente disse, ainda, que o problema do Brasil “é que muitas vezes ele foi governado por gente que tinha pouca massa encefálica na cabeça e não pensava corretamente sobre o futuro de seu país. Como ficar dez anos sem renovar a frota do Samu? Depois de um longo e tenebroso inverno, resolvemos renová-la”.
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Conforme anunciado, todas as ambulâncias com mais de seis anos de uso serão trocadas, com recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A entrega desta quinta-feira somou R$ 89 milhões. O objetivo é que, em 2025, só estejam em operação veículos com até cinco anos de uso.
Lula falou, ainda, sobre o fato de que governa sem distinguir o partido ou a religião de quem está à frente de estados e municípios. “Não tenho que perguntar se o governador gosta ou não de mim, não quero casar com o governador. O que eu quero é governar este país e é por isso que eu venho até aqui. E é uma pena porque o governador poderia vir com a gente, mas ele não vai a nenhum lugar que eu convide”, afirmou.
O presidente também disse que depois de deixar Salto iria a Campinas para, entre outras agendas, participar de entrega de BRT na cidade, para o qual Tarcísio de Freitas fora convidado. “É uma obra que tem investimento da Caixa e do BNDES. E ele (o governador) está convidado, mas não vem. Ele não vem porque diz que ‘o dinheiro é do BNDES não do Lula, eu tomei emprestado e eu vou pagar’. Mas, ele tem de saber que o BNDES empresta dinheiro para governador no meu governo, porque no deles, não emprestava nenhum centavo”, salientou.
Orgulho do Samu

Ao falar sobre o Samu, Lula lembrou: “Quando chego numa cidade qualquer e vejo uma ambulância e os médicos e enfermeiras do Samu, fico orgulhoso e penso: ‘fui eu, na Presidência da República, que criei essa benção de Deus para salvar as pessoas’”. E, dirigindo-se aos trabalhadores do serviço, declarou: “Sinto orgulho de verdade do trabalho que vocês prestam”.
O presidente enfatizou que “renovar a frota é uma obrigação ética e moral” e defendeu que os prefeitos também devem cuidar das ambulâncias. Lula disse, ainda, tratar da questão da saúde “como se fosse um filho: “eu a quero bem, quero que funcione”.
Lula reforçou que as pessoas devem ser cuidadas “a vida inteira” e falou sobre a importância destinar moradia a populações vulneráveis. “Quando a gente entrega uma casa para uma pessoa, a gente tem noção de que está dando oportunidade daquela pessoa virar uma cidadã. Ela não é miserável porque quer, não é pobre porque quer ser pobre, ela é assim porque o Estado brasileiro não cuidou dela”.
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O ato também contou com a fala da ministra da Saúde, Nísia Trindade, que abordou as medidas que o governo vem tomando para melhorar o SUS e, mais especificamente, o serviço prestado pelo Samu.
“Desde o ano passado, decidimos, sob a orientação do presidente Lula, retomarmos, avançarmos e inovarmos em todas as políticas de saúde para a nossa população. E a partir daí, começamos a retomar o financiamento adequado para o Samu, aumentando em 30% o seu custeio em todo o Brasil”, pontuou.
Segundo a ministra, outro objetivo buscado pelo governo, via Novo PAC, é o de chegar até 2026 com 100% de cobertura do Samu no país. “Este modelo foi, há 20 anos, inspirado no modelo francês e aperfeiçoado de acordo com a realidade de nosso país, de tantas desigualdades sociais e regionais. E hoje o Samu é um projeto de referência não só no Brasil, mas no mundo”, salientou Nísia.
O evento contou, ainda, com as participações do vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin; dos ministros de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e do Empreendedorismo, Márcio França, além de prefeitos, autoridades locais e parlamentares, entre os quais o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP).
Ainda nesta quinta-feira, em Campinas (SP), o presidente lança a pedra fundamental do Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), e participa de entrega do BRT Campinas, do viaduto Bandeirantes e de anúncios da requalificação do sistema de macrodrenagem do município.
Antes do evento de entrega das ambulâncias, Lula visitou unidade de adaptação de ambulâncias do Samu, também em Salto.