Espanha retira embaixadora de Buenos Aires após ofensas de Milei
O presidente argentino insultou a esposa de Pedri Sánchez, primeiro-ministro do país ibérico em tentativa de interferir em assuntos internos. Retirada tem caráter permanente
Publicado 21/05/2024 14:18 | Editado 22/05/2024 08:14

Madri anunciou nesta terça (21) a retirada da diplomacia espanhola da Argentina em caráter permanente após a recusa do presidente Javier Milei em pedir desculpas pelas ofensas proferidas a primeira-dama, Begona Gomez.
O anúncio foi dado pelo ministro das relações exteriores espanhol, José Manuel Albares, nesta terça.
Até aqui, foi a maior consequência deletéria para a Argentina dos arroubos diplomáticos do líder da extrema-direita do país.
A crise começou após o presidente argentino, Javier Milei, chamar a esposa do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, de corrupta por conta de uma investigação arquivada contra ela. Madri, como reação, convocou sua embaixadora em Buenos Aires e exigiu pedido de desculpas por parte de Milei.
Durante o fim de semana, o chefe da Casa Rosada esteve em na capital espanhola e ignorou a possibilidade de encontros com autoridades do governo socialista do premiê Pedro Sánchez. No lugar, afagou a ultradireita local, personificada no partido Vox, e abriu uma crise diplomática.
Na segunda (20), no entanto, o presidente argentino dobrou a aposta da briga e disse que não se desculparia. Além disse, Milei descreveu o seu homólogo espanhol como um “socialista fatalmente arrogante”.
Em entrevista para a televisão argentina, o ultraliberal ainda qualificou Sánchez como “totalitário”, “caráter sinistro”, “avermelhado” (por ser socialista), “covarde”, “ridículo” e “motivo de chacota do mundo”.
O chanceler espanhol afirmou que não havia precedente do tipo na relação Espanha-Argentina e que Javier Milei respondeu a “hospitalidade e boa fé” ofertados para recebê-lo em Madri com “um ataque frontal à democracia e às instituições”.
“O respeito mútuo e a não interferência em assuntos internos são princípios fundamentais das relações internacionais e é inimaginável que um presidente em exercício visite a Espanha e ofenda o governo da Espanha”, seguiu o ministro em entrevista coletiva.
Já nesta terça, ele afirmou que “não existem precedentes de um chefe de Estado que vá à capital de outro pais para insultar suas instituições e fazer uma interferência flagrante em assuntos internos”.