Conferência em Belém encerra com propostas e compromissos para o futuro
Lideranças de diversos setores marcaram o fechamento com discursos que abordaram questões cruciais para o bem-estar dos habitantes da região amazônica.
Publicado 17/03/2024 11:34 | Editado 18/03/2024 18:12

Após dois dias de debates intensos e reflexões profundas na Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, uma prévia da COP 30, o evento encerrou-se hoje, 16 de março. Lideranças de diversos setores, incluindo políticos, acadêmicos, representantes do judiciário e da sociedade civil, marcaram o fechamento com discursos que abordaram questões cruciais para o bem-estar dos habitantes da região amazônica.
O propósito central da conferência era estabelecer um espaço para discutir propostas concretas, fundamentadas tanto cientificamente quanto politicamente. Entre os participantes presentes estavam o prefeito Edmilson Rodrigues, do PSOL, o coordenador Nacional da ADJC, Aldo Arantes, e a ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Delaíde Miranda Arantes, além de outros líderes e especialistas.
Ao longo do evento, foram delineadas diversas diretrizes e compromissos para garantir um desenvolvimento sustentável na Amazônia. Estes incluíram medidas para a preservação ambiental, o respeito aos direitos das comunidades locais e o estímulo à economia verde na região. As discussões foram embasadas em evidências científicas e considerações políticas, visando promover uma abordagem holística e integrada para lidar com os desafios da região.
Segundo o coordenador Nacional da ADJC, Aldo Arantes, a conferência marca o início de um debate crucial para a Amazônia em preparação para a COP-30. Ele destacou a importância de ouvir a comunidade científica, os movimentos sociais e a população local para elaborar propostas eficazes e mobilizar a sociedade para impulsionar decisões que atendam aos interesses dos habitantes da Amazônia.
“Essa conferência inaugura um debate sobre a Amazônia, em preparação à COP-30. A minha perspectiva é de que inúmeros eventos dessa natureza sejam realizados, porque os brasileiros e amazônidas têm a necessidade de chegar na COP-30 com propostas concretas, com bastante fundamento científico e político. Então, é necessário primeiro elaborar, daí a importância de ouvir a comunidade científica, as pessoas que se dedicam ao estudo da Amazônia, aos movimentos sociais, tanto que nós tivemos uma mesa sobre vozes da Amazônia, tudo isso para sistematizar propostas concretas. Agora, além das propostas, é necessário mobilizar a sociedade, a pressão política é fundamental”, destacou Aldo Arantes.
A Subsecretária de Ciência e Tecnologia para a Amazônia do MCTI, Tanara Louschner, enfatizou a necessidade de olhar para a Amazônia não apenas como uma reserva ambiental, mas também como um território habitado por milhões de pessoas que merecem acesso aos mesmos direitos e oportunidades que os demais brasileiros. Ela ressaltou a importância de ouvir as vozes dos movimentos sociais e da população local para desenvolver soluções sustentáveis que respeitem a biodiversidade e promovam o bem-estar social.
“Primeiramente, quando falamos em desenvolvimento sustentável, estamos nos referindo às gerações futuras, preocupando-nos com o planeta e como iremos deixá-lo para os próximos habitantes. Ao falar de desenvolvimento sustentável na Amazônia, estamos abordando uma região de extrema importância para o clima e para o ar. A antiga máxima de que a Amazônia é o pulmão do mundo é emblemática, e mais do que isso, se considerássemos a Amazônia como um país, seria o sexto maior do mundo. Portanto, esse território gigantesco tem sua importância, e somente no Brasil, são trinta e oito milhões de pessoas que devem ter direito a todos os acessos que os demais brasileiros possuem”, defendeu Louschner.”
O coordenador estadual da ADJC-PA e conselheiro seccional da OAB, João Batista, ressaltou a urgência de proteger tanto a Floresta Amazônica quanto seus habitantes, destacando a necessidade de diálogo entre diversos setores da sociedade para encontrar soluções para os desafios enfrentados pela região.
“A Amazônia clama por socorro, mas, fundamentalmente, seus habitantes residentes. Não há proteção do meio ambiente sem a proteção de seu povo. Portanto, é crucial que este evento sirva como ocorrência para que tais ocorrências sejam divulgadas de forma mais frequente dentro da comunidade civil, da comunidade jurídica, dos movimentos sociais, urbanos, sindicais e dos povos tradicionais. É necessário que possamos debater soluções em diálogo com as autoridades e os poderes públicos, a fim de exercer o que há de mais importante para o desenvolvimento social, a proteção da Amazônia e a justiça climática, ambiental e social, diante das inúmeras manifestações que afetaram o povo amazônico, não apenas a floresta, mas também seus habitantes”, enfatizou.”
O presidente da CTB-Pará e Conselheiro da OAB Pará, Cleber Rezende, defendeu a importância de um desenvolvimento sustentável que promova emprego, renda e dignidade para os habitantes da Amazônia, enfatizando a necessidade de verticalizar a produção na região para agregar valor às suas riquezas naturais.
“Este evento tem um significado extraordinário para a classe trabalhadora. Quando discutimos desenvolvimento sustentável na Amazônia, é crucial contextualizar esse debate no âmbito nacional e na defesa da soberania do Brasil sobre a região. Isso compreende a questão ambiental e a promoção da geração de emprego e renda para os habitantes da Amazônia, defendendo seus direitos e considerando que o desenvolvimento da região tem impacto tanto nacional quanto internacionalmente, especialmente em relação às mudanças climáticas e aos créditos de carbono. Devemos encarar a Amazônia como parte integrante do desenvolvimento nacional e não apenas como uma exportadora de matéria-prima. Precisamos verticalizar a produção na Amazônia”, afirmou.
O Presidente da Imprensa Oficial do Estado do Pará, Jorge Panzera, também comentou o evento: “Hoje concluímos com êxito o seminário sustentável na Amazônia, reunindo pesquisadores, advogados, estudiosos da questão amazônica, lideranças políticas e do movimento social. Gostaria de parabenizar a ADJC pelo evento e ressaltar que este é um dos primeiros de muitos que ainda ocorrerão para discutir a questão da Amazônia. Nós, aqui na Amazônia, precisamos estar sempre presentes, construindo um caminho de pensamento para a região, promovendo o desenvolvimento sustentável e qualidade de vida para o nosso povo”.
Além dos debates e painéis, o evento também incluiu momentos culturais, como o show do grupo Folclórico da Amazônia, que animou os participantes com apresentações de danças tradicionais. O grupo também está se preparando para levar a cultura paraense às Olimpíadas de Paris em 2024.
A conferência encerrou-se com a apresentação da Carta da Amazônia, resultado das discussões e propostas apresentadas ao longo do evento. A elaboração final da carta será realizada com base nas sugestões coletadas durante a assembleia, com o objetivo de divulgar o documento em um prazo breve para contribuir para o debate contínuo sobre o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
A Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável da Amazônia mostrou-se um espaço importante para unir diferentes vozes em prol de um futuro mais sustentável e justo para a região e seus habitantes. O desafio agora é transformar as discussões e propostas em ações concretas que garantam o bem-estar da Amazônia e de seus povos.
O encerramento da conferência não representa o fim das iniciativas, mas sim o início de um compromisso contínuo com o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Os participantes saem deste encontro fortalecidos e conscientes da importância de se unirem em prol de um futuro ambientalmente equilibrado e socialmente justo para a região e seus habitantes.
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