Movimentos vão às ruas em meio a escalada autoritária de Milei
O novo governo enfrenta sua primeira onda de protesto contra o austericídio fiscal, enquanto ministérios ameaçam com prisão e corte de benefícios sociais
Publicado 20/12/2023 09:26 | Editado 20/12/2023 14:33

A Unidade Piqueteira da Argentina vai às ruas, nesta quarta (20), no primeiro grande protesto contra o novo governo do presidente Javier Milei. Em uma escalada autoritária, o novo governo baixou decreto para tentar impedir que as pessoas obstruam as ruas durante os protesto, além de ameaçar cortes de benefícios sociais aos participantes.
A concentração está marcada para às 10h, mas o ato principal deve acontecer por volta de 16h, quando deve ocorrer uma caminhada da região do Congresso até a Praça de Maio.
Nesta quarta, os manifestantes desafiam pela primeira vez o protocolo contra os piquetes, editado pela ministra da Segurança, Patricia Bullrich. Logo pela manhã, a ministra reforçou as intenções reacionárias do governo: “se vão às ruas, vão perder os benefícios”.
“A decisão do governo é acabar com a obstrução das ruas. Que se manifestem quantas vezes quiserem: nas praças, nos cordões. Mas as ruas não estão fechadas. Hoje será um começo, não devemos esperar 100% de chances de sucesso, hoje começa um caminho que não tem volta”, ameaçou Bullrich.
Entre as medidas do protocolo, estão o uso de força proporcional à resistência oferecida por manifestantes, durante bloqueios de vias públicas; a identificação e punição de transgressores; e o custeio do aparato de segurança a ser bancado pelos organizadores das marchas.
Comunicado de la Ministra de Capital Humano Sandra Pettovello.
— Oficina del Presidente Javier Milei (@OPEArg) December 18, 2023
EL QUE CORTA NO COBRA
Manifestarse es un derecho, pero también lo es circular libremente por el territorio argentino para dirigirse al lugar de trabajo.
Los que promuevan, instiguen, organicen o participen de los… pic.twitter.com/PCGXAvRAV8
O ministério de Segurança, em comunicado, estabeleceu quatro proibições populistas que limitam o direito de manifestação política:
1) “O tráfego de veículos não pode ser interrompido”.
2) “Você não poderá participar com o rosto coberto de forma intimidante.”
3) “Também não será permitido o uso de paus ou elementos contundentes.”
4) “Não pode haver crianças nas marchas”.
Os “piqueteros” são movimentos de esquerda que, desde o final dos anos 1990, fazem protestos por meio do fechamento de ruas e estradas.
O líder do Polo Obrero, uma organização piqueteira ligada ao Partido Obrero, classificou as medidas do governo como “absurdo e ridículo” e disse que “não existe em nenhum lugar do mundo uma mobilização de 50 mil pessoas pela calçada”.
“Patricia Bullrich está tentando um estado de sítio e claramente não vai funcionar porque para isso ocorrer o Parlamento tem de permitir”, disse.
Conferencia de prensa en Congreso
— Alejandro Bodart (@Ale_Bodart) December 19, 2023
Anunciamos la marcha multisectorial de mañana, contra el ajuste de Milei y el protocolo antidemocrático de Bullrich. Más de 50 organizaciones y miles y miles de activistas nos movilizaremos. pic.twitter.com/E1tyoWFfpW
Em 10 dias, preço da gasolina subiu 60%
Nesta quarta, o presidente argentino deve anunciar em cadeia nacional um plano de desregulamentação da economia, incluindo uma reforma trabalhista aos moldes de Margaret Thatcher.
Em 10 dias de mandato, a população argentina já verifica os aumentos de preços provocados pela megadesvalorização do peso. Desde a posse, o preço dos combustíveis aumentou mais de 60%, por exemplo.
Entre as medidas que o ultraliberal já realizou, uma delas consiste na liberação dos preços dos alimentos nos mercados do país. Para mitigar os efeitos da inflação, o ex-presidente Alberto Fernández elaborou um acordo de preços com fornecedores, armazéns, supermercados e outros setores para que o aumento no preço destes produtos fosse o menor possível.
Com a de Milei esses acordos foram deixados de lado e novas listas de preços passaram a ser enviadas, com a lógica de compensar os atrasos dos últimos meses.