Zambelli responderá na justiça por porte ilegal de arma de fogo
STF decidiu que a deputada responderá pela perseguição com arma e constrangimento contra Luan Araújo, na véspera do 2º turno; ministros ‘bolsonaristas’ votaram contra
Publicado 21/08/2023 13:11

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) irá responder na justiça pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. A decisão é do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o caso em que Zambelli perseguiu um homem com arma em punho na véspera do segundo turno das eleições de 2022, em São Paulo (SP).
A maioria dos ministros do STF votaram para torná-la ré. O placar foi 9 a 2, sendo que somente os ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques não acompanharam o voto do relator, ministro Gilmar Mendes.
“Ainda que a arguida tenha porte de arma, o uso fora dos limites da defesa pessoal, em contexto público e ostensivo, ainda mais às vésperas das eleições, em tese, pode significar responsabilidade penal”, colocou Mendes na decisão.
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No entendimento de Mendonça, as acusações deveriam tramitar na primeira instância da Justiça. Já Nunes Marques votou por rejeitar a denúncia. Ambos são ministro indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Perseguição
O segundo turno das eleições de 2022 aconteceu em 30 de outubro, domingo. No dia anterior, sábado (29), a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que viria a se reeleger, sacou uma arma no bairro nobre dos Jardins, na capital paulista, e perseguiu o jornalista Luan Araújo.
Vídeos da cena comprovaram o desequilíbrio da deputada, que agora responderá na justiça. Inicialmente ela chegou a dizer que teria sido empurrada por Luan e por isso reagiu daquela forma. No entanto, os vídeos a desmentiram e comprovaram a injusta e descabida perseguição. Depois da repercussão, Zambelli voltou atrás e disse que foi ofendida e por isso reagiu daquela maneira – o que não justifica mesmo que fosse comprovada a ofensa.
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Em julho desse ano ela entrou com processo contra Luan por matéria publicada no DCM, em que o jornalista revela que teve a vida pessoal virada “de cabeça para baixo” após os fatos e que para Zambelli “mulher branca com conexões com pessoas poderosas” aquele foi um “espaço para fazer o picadeiro clássico de uma extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte”.
*Com informações de agência de notícias. Edição Vermelho, Murilo da Silva.