Lula trabalha por relação melhor com evangélicos
Governo amplia aproximação com lideranças evangélicas do Congresso, no entanto pautas progressistas entendidas como ‘ideológicas’ devem ficar de fora do debate
Publicado 21/07/2023 14:38

Desde que o novo governo Lula assumiu um dos objetivos foi reestabelecer pontes com a bancada evangélica no Congresso Nacional. Durante a campanha houve uma tímida aproximação, pois a grande massa demonstrou apoio para a candidatura derrotada de Jair Bolsonaro, que agora se tornou inelegível.
Ao Estadão, esta aproximação ficou desvendada com a fala do coordenador da bancada evangélica no Senado, Carlos Viana (PSD-MG). Ao jornal, ele falou: “Desde que nossas pautas não sejam afetadas, o governo terá o nosso apoio em todas as matérias que forem importantes para o Brasil.”
A menção “desde que nossas pautas não sejam afetadas” é direcionada, em parte, à indicação do ex-deputado Jean Wyllys para ocupar cargo na Secretaria de Comunicação do governo. A posição dos evangélicos é de que o ex-parlamentar pautou situações durante o governo Dilma Rousseff que não devem ser novamente exploradas. De toda forma, segundo Viana, a indicação de Wyllys não é um problema, caso não tenha influência direta no governo.
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De maneira geral, parte dos políticos da bancada evangélica se mantêm aberta ao diálogo para uma maior interlocução e para fazer o governo entender as demandas do grupo.
De acordo com o jornal, quem atua até o momento pelo governo nesta aproximação é o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, o de Comunicação, Paulo Pimenta, e da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, que inclusive representou o presidente Lula na Marcha Para Jesus, realizada em São Paulo.
Nesta nova fase de diálogo com os evangélicos, depois do amplo apoio dado a Bolsonaro, o governo já mira o próximo coordenador da bancada evangélica na Câmara dos Deputados, Silas Câmara (PSD-AM). O deputado, que é pastor da Assembleia de Deus no Amazonas, já demonstrou abertura para o diálogo, ao contrário do atual coordenador Eli Borges (PL-TO), do partido de Bolsonaro e da Assembleia de Deus Ministério Madureira.
Em fevereiro, a Frente Parlamentar Evangélica no Congresso Nacional definiu que haveria alternância entre os dois a cada seis meses no biênio 2023 e 2024. O acordo teve como um dos articuladores o deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), pastor da Assembleia de Deus da mesma congregação que Eli e que foi presidente da frente em 2021.
Cezinha salientou que, fora a pauta ideológica, os evangélicos estão comprometidos em dialogar.
Na ocasião em que houve o acordo de alternância ficou acertado que não haveria uma postura de confrontação ao governo Lula. O deputado por São Paulo chegou a dizer que a prioridade seria a manutenção da paz, independente de cores partidárias.
Uma posição mais amena do que a de Borges, que apesar de indicar uma postura de respeito ao governo, evidenciou que não abriria mão das posições conservadoras e mantém a defesa do ex-presidente Bolsonaro e dos presos nos atos de 8 de Janeiro.
*Informações Estadão e Poder 360. Edição Vermelho, Murilo da Silva