Tony Garcia, que denunciou Sergio Moro, pode ser convocado pelo Senado
Por determinação do ministro do STF Dias Toffoli, o empresário também vai prestar depoimento na PF sobre as acusações que faz contra o ex-juiz da Lava Jato
Publicado 06/07/2023 13:33 | Editado 06/07/2023 15:53

Além de depor na Polícia Federal (PF) sobre as denúncias que apresentou contra o ex-juiz e atual senador Sergio Moro (União-PR), Tony Garcia também pode ser convocado pelo Senado para prestar esclarecimentos.
O senador Rogério Carvalho (PT-SE) pediu a convocação do empresário na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que autorizou a PF a tomar o depoimento e a Procuradoria-Geral da República (PGR) conduzir a apuração, confirmou a competência da Corte para investigar as denúncias feitas por Garcia.
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O ex-deputado estadual afirmou ao site Brasil 247 que agiu como “agente infiltrado” do ex-juiz da Lava Jato quando gravou de forma ilegal várias autoridades. Em troca, ele seria beneficiado nos processos que respondia na Justiça Federal do Paraná.
Rogério Carvalho diz que o objetivo é que ele preste esclarecimentos sobre “as graves denúncias” relacionadas ao uso da Justiça Federal de Curitiba durante a operação Lava Jato.
“Senador Rogério agradeço seu movimento para que eu possa ser ouvido na CCJ do Senado. Dentro do meu acordo há elementos probatórios de sobra dos crimes praticados pela súcia curitibana. Uma CPI, porém, acredito ter mais estrutura para análise de 17.000 páginas de documentos”, escreveu o empresário no Twitter.
Para Carvalho, a CPI da Lava Jato seria importante para dar um “mergulho” no que foi a operação, como os procuradores agiam e orquestram para conseguir seus propósitos.
“Tudo que eles fizeram como levar a Petrobras, a quarta maior petrolífera do mundo, a diminuir de tamanho, quebradeira na indústria naval, destruição das empresas da construção civil, milhões de empregos perdidos e um atraso enorme para o país”, disse o senador.
Carvalho considerou ainda que há fatos determinantes para criação da CPI. Na avalição dele, Tacla Duran, advogado que acusou ser vítima de extorsão por parte da Lava Jato, e Tony Garcia talvez sejam “os elementos para que se abra uma linha de investigação no parlamento.”
Portanto, o senador considerou “uma grande ideia” a CPI e prometeu trabalhar para viabilizá-la.
Convocação
No requerimento de convocação, o senador alegou que o empresário afirmou também que os desembargadores do TRF-4 eram chantageados por figuras importantes da Justiça Federal em troca do silêncio sobre eventos constrangedores de suas vidas privadas.
“A relação de Garcia com a justiça se iniciou em 2004, quando firmou um acordo de delação premiada que foi homologado no caso Banestado, após o empresário ter sido acusado de gestão fraudulenta do Consórcio Nacional Garibaldi”, diz.
Lembrou ainda que a colaboração foi suspensa em 2018, depois que o empresário não chegou a um acordo para que a Justiça Federal de Curitiba atuasse para atenuar as acusações sobre outro caso em que era suspeito de compor um esquema de fraudes no governo de Beto Richa (PSDB-PR).