Observatório do Clima prevê Brasil na liderança contra desmatamento
Marcio Astrini, secretário-executivo da entidade, diz que para isso o país vai precisar de um novo governo que não tenha Bolsonaro
Publicado 16/09/2022 17:59

O secretário-executivo do Observatório do Clima (OC), Marcio Astrini, disse que o Brasil pode liderar a agenda contra o desmatamento, mas para isso vai precisar de um novo governo que não tenha Jair Bolsonaro (PL) na presidência.
Astrini é crítico do governo Bolsonaro por considerá-lo um dos principais responsáveis pelo desmatamento recorde na Amazônia durante os últimos anos. “O governo não peca apenas pela omissão na área ambiental de desmatamento, mas é um franco parceiro do crime ambiental”, acusou.
O ambientalista fez essa avaliação no contexto da decisão do Parlamento Europeu que aprovou na última terça-feira (13) uma proposta para uma regulação antidesmatamento.
“Aprovado o texto base da lei antidesmatamento no Parlamento Europeu. Serve para vários países, e pega em cheio o Brasil. O mundo mudou e a destruição florestal não é mais aceita. Podemos ser líderes nesta agenda, mas vamos precisar de um outro governo”, disse ele.
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O secretário-geral do OC diz que o recado do Parlamento Europeu foi claro: “A sociedade de um dos maiores mercados consumidores do mundo não quer mais desmatamento em seu prato, em sua casa e em seus automóveis”.
No seu entendimento, passa da hora de países produtores de commodities, como o Brasil, pararem de se fingir de surdos.
“Zerar o desmatamento tropical é uma obrigação moral com as pessoas, os ecossistemas e o clima, e agora será também um pré-requisito para os negócios”, explicou.

Produtos
Entre os produtos que integram a lista estão as duas principais commodities que causam a destruição da Amazônia: a soja e a carne.
Couro, madeira, cacau, borracha, milho e dendê também estão sujeitos à nova regulação, que exigirá que os importadores realizem uma auditoria (processo conhecido em inglês como due diligence) nos fornecedores desses produtos.
“Se for suficientemente forte quando de sua promulgação, a norma europeia poderá ser um instrumento poderoso para o combate ao desmatamento, já que outros importadores no mercado internacional tenderão a usar os padrões já estabelecidos pela UE como parâmetro para as próprias compras. Uma lei frouxa, ao contrário, poderá sedimentar as más práticas e estimular a devastação”, diz nota do OC.