Deputados vão ao MP contra a compra de Viagra pelas Forças Armadas
Elias Vaz (PSB-GO) e Marcelo Freixo (PSB-RJ) identificaram sobrepreço de até 143% na compra de 35 mil unidades de medicamento usado para disfunção erétil pela cúpula militar
Publicado 12/04/2022 08:58 | Editado 12/04/2022 10:40

Os deputados Elias Vaz (PSB-GO) e Marcelo Freixo (PSB-RJ) acionaram o Ministério Público Federal (MPF) solicitando investigação sobre a compra de 35 mil comprimidos de Viagra pelas Forças Armadas. Além da aplicação inadequada dos recursos públicos, os parlamentares suspeitam que houve superfaturamento na aquisição do medicamento.
De acordo com a colunista Bela Megale, do jornal O Globo, foram oito pregões para a compra do medicamento indicado para disfunção erétil por unidades ligadas aos comandos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Ela obteve as informações junto a Elias Vaz, que utilizou dados do Portal da Transparência e do Painel de Preços do governo federal.
Os processos de compra foram homologados em 2020 e 2021 e seguem valendo. Há, contudo, diferenças de valores na aquisição do produto. Num deles, em 2020, a compra dos comprimidos saiu no valor de R$ 3,65 a unidade. Porém, em outro processo do mesmo ano, cada unidade custou apenas R$ 1,50. Além disso, em outro contrato ainda, o valor pago pelo medicamento foi 143% maior do que o preço de mercado.
Deboche
“No início do mês tivemos um reajuste alto no preço dos remédios, os hospitais sofrem com a falta de medicamentos e Bolsonaro e sua turma usam dinheiro público para comprar o ‘azulzinho’”, afirmou Vaz, pelo Twitter.
“É um deboche com milhões de brasileiros que sofrem com a falta de medicamentos nos postos de saúde. O Ministério Público tem que investigar essa farra com dinheiro público”, tuitou o deputado Marcelo Freixo (PSB-RJ). Nesse sentido, ele lembrou que o governo Bolsonaro já vetou a distribuição de absorventes para mulheres pobres, enquanto libera a compra de Viagra para os militares.
À colunista do O Globo, Marinha e a Aeronáutica informaram que a compra de Viagra visa ao tratamento de pacientes com Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP). O Exército ainda não havia se manifestado até o fechamento desta nota.
Picanha, filé e salmão
Na semana passada, Bela Megale também noticiou que os militares gastaram R$ 56 milhões em recursos públicos para comprar picanha, filé mignon e salmão. As compras foram feitas entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2022, sob a gestão do ex-ministro da Defesa Braga Netto. De acordo com a reportagem, foram mais de 1 milhão de quilos daquelas chamadas “carnes nobres”. Assim como no caso do Viagra, foi a assessoria de deputado Elias Vaz que produziu o levantamento.
Os 15 milhões gastos em leite condensado foram justificados porque o alimento é altamente energético.
Curioso para saber como vão passar pano para os 35 mil comprimidos de Viagra…
— Orlando Silva (@orlandosilva) April 11, 2022
As Forças Armadas merecem todo respeito, mas os setores de compras da área seguem firmes na estranha disposição de desmoralizar a farda. Depois do escândalo da picanha, salmão e bebidas, agora é aquisição de grande quantidade de Viagra.
— Ciro Gomes (@cirogomes) April 11, 2022
A menos que provem que estejam desenvolvendo alguma arma secreta – capaz de revolucionar a indústria bélica internacional – vai ficar difícil justificar a compra de 35 mil unidades de um remédio para disfunção erétil.
— Ciro Gomes (@cirogomes) April 11, 2022
Não por acaso, estes absurdos ocorrem no governo de um presidente, notório militar frustrado, que toma sistematicamente medidas que desonram a tropa. Seja por mau exemplo pessoal ou clientelismo e coaptação explícitos.
— Ciro Gomes (@cirogomes) April 11, 2022
Farra da compra do Viagra, Vôo da Coca na FAB , Pazuelo pilotando a o genocídio e a mamata da cloroquina no Min da Saúde, desfile do fumaça dos tanques no Palácio…Bolsonaro e sua turma operam a maior desmoralização da s Forças Armadas brasileiras
— Alexandre Padilha (@padilhando) April 11, 2022
Estão bem estranhas essas compras p nossas Forças Armadas:
Leite condensado
Picanha
Filé
Salmão
Remédio para calvície
ViagraTudo isso pode.
Mas absorventes p meninas de baixa renda não pode.
É isso mesmo?— Perpétua Almeida (@perpetua_acre) April 11, 2022
Da Rede Brasil Atual