Equipe econômica pede demissão em meio a pedalada no teto de gastos
A debandada é vista pelo mercado como uma reprovação à política fiscal de Bolsonaro. Governo quer furar teto de gastos para bancar medidas eleitoreiras.
Publicado 21/10/2021 23:18 | Editado 21/10/2021 23:24

Quatro secretários do Ministério da Economia pediram demissão dos cargos nesta quinta-feira (21) alegando motivos pessoais. O anúncio foi feito pela própria pasta, e ainda não há substitutos anunciados.
Os quatro secretários comandavam a área fiscal do ministério, ou seja, os setores diretamente relacionados com os gastos públicos. Também nesta quinta, o secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, José Mauro Coelho, pediu demissão do posto em meio à crise de inflação de combustíveis.
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A debandada envolveu os cargos de secretário de Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, de secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, de secretária-especial-adjunta de Tesouro e Orçamento, Gildenora Dantas; e de secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Araujo.
? ALERTA DE DEBANDADA!!!
O secretário do Tesouro, Bruno Funchal, abandonou a barca furada de Guedes e Bolsonaro.
A secretária especial adjunta e o secretário adjunto também pediram o boné.
O último que apague a luz. Afinal, tem racionamento à vista.
— Orlando Silva (@orlandosilva) October 21, 2021
A equipe de Paulo Guedes esperou fechar a Bovespa para entregar a carta de demissão. Imaginem o dólar amanhã? R$ 6?
Aí, pelos meus cálculos, a fortuna de Guedes no paraíso fiscal vai a 57 milhões de reais.
Negócio da China: fazer bobagens a granel e ficar mais rico. Cretino!
— Orlando Silva (@orlandosilva) October 21, 2021
Os pedidos de demissão acontecem no mesmo dia em que deputados manobraram para abrir espaço no teto de gastos, em ano eleitoral, para gastar cerca de R$ 40 bilhões para bancar benefícios sociais.
O teto de gastos foi criado após o golpe de 2016 em Dilma Rousseff, como forma de impedir aumento de gastos sociais e favorecer pagamento de serviços da dívida para especuladores financeiros.
A medida é considerada polêmica por travar investimentos por décadas, algo que nenhum país pratica. Mesmo se a arrecadação aumentasse, o governo não poderia utilizar os recursos para gastos que não envolvessem pagamento de dividendos. Com isso, como previam setores da esquerda, a direita criou um problema para si, já que os governos não têm capacidade de manobra para aplicar seus recursos disponíveis. A Oposição defende a derrubada definitiva do teto de gastos.
Em meio à queda sistemática da popularidade do governo, Bolsonaro insiste em repetir que vai aumentar o valor do Bolsa Família para famílias carentes, mesmo sem saber se terá recursos para isso. O ministro da Cidadania, João Roma, anunciou na quarta-feira (20) que o benefício do novo programa social será de, no mínimo, R$ 400 por família até o final do ano que vem.
O Orçamento depende da aprovação da PEC dos Precatórios e do retorno da taxação sobre os lucros e os dividendos, parte da Reforma do Imposto de Renda. No entanto, a reforma do Imposto de Renda não avançou no Senado.
Funchal foi um dos quadros que mais defendeu a manutenç˜ão do teto de gastos, mesmo tendo que equilibrar as soluções para os programas sociais do governo. Ele é especialista em Finanças, Direito e Macroeconomia Aplicada e estava no governo desde janeiro de 2019. Começou como diretor de programas e ascendeu gradualmente a Secretário Especial de Tesouro e Orçamento. É reconhecido pelo mercado financeiro, no Espírito Santo, por políticas de austeridade contra os servidores públicos.
O “mercado” já fala em dólar a R$ 6. Talvez chegue em R$ 7, quem sabe R$ 8?
O Brasil de Bolsonaro e Paulo Guedes é superchique: o litro da gasolina custa 1 dólar.
— Orlando Silva (@orlandosilva) October 21, 2021