Panelas vazias, por Anderson Pereira
No próximo dia 2 de outubro, os brasileiros voltarão às ruas do país para protestar contra essa política genocida do governo
Publicado 27/09/2021 11:26

Centenas de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) ocuparam, na quinta-feira (22), a sede da Bolsa de Valores de São Paulo para protestar contra a fome. Os brasileiros que vivem de panela vazia deram um recado para aqueles de bolsas e malas com muito dinheiro. “Tem gente ficando rica com a nossa fome”. “Chega, basta”. “Fora, Bolsonaro”.
Outros cartazes diziam “Sua ação financia nossa miséria”, “Tá tudo caro e a culpa é do Bolsonaro”, “Brasil tem 42 novos bilionários enquanto 19 milhões passam fome”. No último ano, quase 20 milhões de brasileiros passaram fome e mais da metade das moradias no país enfrentou algum grau de insegurança alimentar.
Os dados fazem parte do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil. O trabalho foi realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) e divulgado em abril deste ano.
Por outro lado, o número de bilionários no Brasil cresceu durante a pandemia. Segundo a revista Forbes, o número de bilionários no país saltou de 56 para 67. Juntos, eles detêm US$ 219, bilhões de dólares, isto é, aproximadamente R$ 1,2 trilhão – quase o Produto Interno Bruto (PIB) do País.
Débora Pereira, liderança do MTST, afirmou: “É inadmissível que quase 100 milhões de brasileiros estejam em situação de fome e insegurança alimentar enquanto os bilionários movimentam R$ 35 bilhões por dia só aqui na Bolsa de Valores de São Paulo”.
Em seguida, acrescentou: “Estamos aqui para denunciar o que acontece no país e a política por trás disso. Em um ano, o número de milionários dobrou, enquanto aumentou a miséria. Não é possível que 99% da população empobreça para que 1% enriqueça. Este é um grito que estava engasgado na garganta de quem vai ao supermercado”.
A inflação deste mês, por exemplo, já é a maior em 26 anos desde a criação do Plano Real em 1994. A renda média do trabalhador também caiu consideravelmente – hoje é a menor desde 2017 – e ficou em R$ 2.433 no 2° trimestre deste ano.
Hoje, o Brasil assiste milhares de brasileiros enfrentarem filas gigantescas na porta de açougues para conseguir um quilo de osso. “Até osso que era dado em açougue agora é vendido”, lembrou Débora Pereira entre alguns manifestantes do MTST que carregavam ossos bovinos.
Enquanto isso, o governo segue “trabalhando” contra o país. Transformou o Ministério da Saúde (MS) num balcão de corrupção em plena a pandemia e, ao mesmo tempo, boicotou a vacina de laboratórios reconhecidos em todo o mundo. O Brasil ocupa o segundo lugar mundial de mortes por covid-19. Já são quase 600 mil óbitos.
No próximo dia 2 de outubro, os brasileiros voltarão às ruas do país para protestar contra essa política genocida do governo. “Vamos ocupar as ruas em protesto contra o caos que representa, ao país, ter o mitômano (mentiroso) Jair Bolsonaro na Presidência da República: desemprego recorde, fome, carestia, inflação, corrupção, retirada de direitos, desmonte dos serviços públicos e das estatais, ataques à democracia, à soberania e às liberdades, atropelo da ciência e desprezo à vida”, escrevem os dirigentes das centrais sindicais CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, CSB, CSP-Conlutas, Intersindical e Pública.
O momento é de união e consciência de classe. Abaixo o regime de panelas vazias! Todos (as) às ruas!
Leia abaixo a nota das centrais sindicais.
CENTRAIS SINDICAIS CONVOCAM PARA ATO FORA BOLSONARO
Das ruas não nos retiraremos até libertar o Brasil deste presidente criminoso
CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, CSB, CSP-Conlutas, Intersindical e Pública, de forma unitária, convocam toda a classe trabalhadora aos atos Fora Bolsonaro, no dia 02 de outubro, em todos os Estados do Brasil, e também em outros países.
Vamos ocupar as ruas em protesto contra o caos que representa, ao país, ter o mitômano Jair Bolsonaro na Presidência da República: desemprego recorde, fome, carestia, inflação, corrupção, retirada de direitos, desmonte dos serviços públicos e das estatais, ataques à democracia, à soberania e às liberdades, atropelo da ciência e desprezo à vida.
Cada dia a mais que Bolsonaro acorda como presidente da República, o Brasil afunda, perde e se perde do mundo, mantendo-se como pária atado à espiral de crises (sanitária, política, econômica, institucional e diplomática) geradas pela incompetência e projeto pessoal de poder de Bolsonaro e da sua inepta equipe de governo.
Em um país com 212 milhões de habitantes, cuja maioria, segundo todas as pesquisas, rejeita e desaprova Bolsonaro, é urgente que o Congresso Nacional atenda o clamor popular e acate a abertura de processo de impeachment para que Bolsonaro seja afastado e seus crimes apurados e julgados. Já são mais de 130 pedidos engavetados na presidência da Câmara dos Deputados, enquanto o país afunda no lodo presidencial.
A voz das ruas tem que ser ouvida
E nós seremos essas vozes no 2 de outubro e em todas as datas que vierem, até que Bolsonaro seja afastado para ser julgado pelos crimes que cometeu e comete diariamente contra os brasileiros, até que ele responda pelo genocídio que tirou as vidas de quase 600 mil pessoas na pandemia de Covid-19, pelo desemprego que atinge 100 milhões e pelo desalento que causa miséria e fome.
As Centrais Sindicais ocuparão as ruas no 2 de outubro ao lado das mais de 80 entidades representadas pelas Frentes Brasil Popular, Povo Sem Medo, Frente Nacional Fora Bolsonaro e partidos políticos. Estão convocando aos atos todos os entes e sindicatos de base, em todo o país, para protestar nas ruas, nas praças, além de assembleias e panfletagens nos locais de trabalho e terminais de transporte público. Com segurança e respeito aos protocolos sanitários, uso de máscara e de álcool em gel.
Das ruas não nos retiraremos até libertar o Brasil desse presidente criminoso.
Brasil, 23 de setembro de 2021
- Sérgio Nobre Presidente da CUT – Central Única dos Trabalhadores
- Miguel Torres Presidente da Força Sindical
- Ricardo Patah Presidente da UGT – União Geral dos Trabalhadores
- Adilson Araújo Presidente da CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
- José Reginaldo Inácio Presidente da NCST – Nova Central Sindical de Trabalhadores
- Antonio Neto Presidente da CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros
- Atenágoras Lopes Secretaria Executiva Nacional – CSP-Conlutas
- Edson Carneiro Índio Secretário-geral – Intersindical – Central da Classe Trabalhadora
- Emanuel Melato Coordenação da Intersindical – Instrumento de Luta e Organização da Classe TrabalhadoraJosé Gozze Presidente – Pública Central do Servidor