Publicado 19/05/2021 21:08

A luta contra o genocida segue seu compasso na CPI da Covid, confirmando a posição criminosa do (des)governo ao “declarar” guerra ao coronavírus e sua letalidade com placebo, veneno e soldados de papel, apostando deliberadamente na mortandade do povo brasileiro. Uma inacreditável estratégia de imunidade de rebanho natural sobre 211 milhões de pessoas, cuja maioria vive em condições precárias em um país continental. Leia-se genocídio.
Apesar dos ataques contínuos, das tentativas de obstrução e fuga vergonhosa, das mentiras e omissões dos “fantásticos” lugar-tenente, vão-se juntando uma cambada de elementos para a substancial pauta acusatória de crimes cometidos em série, entre eles, contra a humanidade e traição à pátria. Na história desse país, inúmeras foram as atrocidades perpetradas pelos donos do poder e seus prepostos contra o povo e suas lideranças, sem trégua nem piedade; assim como foram inúmeras as heroicas lutas de resistência; entretanto, nunca a bandeira do Brasil serviu tanto de mortalha e de valhacouto às hienas e abutres do que símbolo da Nação.
Nesse atual quadro político com ascensão de ventos contrários, pesquisas e índices desfavoráveis, perdendo força as mobilizações de apoio, parece óbvio que resta ao clã do “Vivendas da Barra” jogar todas as fichas milicianas em apostas para segurar o que ainda tem e criar um ambiente propício à reeleição do chefe (tarefa hoje nada fácil) ou realizar o sonho de manutenção a qualquer preço no poder executivo. Para isso acena aos rentistas, aos empresários, aos caminhoneiros com a subida dos juros, privatizações, diminuição do custo do trabalho entre tantos outros; ao mesmo tempo, garante um orçamento paralelo aos parlamentares aliados.
Sabemos que todas as ações e reações oriundas do Planalto e do gabinete do ódio, acrescendo, os ataques à China para dificultar a aquisição de vacinas; desqualificar a CPI e as instituições, e ameaçar os opositores; reacender o medo com a volta de Lula; participar de atividades que negam o distanciamento social têm como horizonte gerar o caos, enquanto biombo, onde prevaleça o arbítrio e desorganize-se a resistência. Necessita chegar em 2022, em condições de disputa, mantendo o máximo de apoio possível e a oposição dividida, polarizando com o inimigo ideal.
Esse cenário nefasto de instabilidade e permanência é possível caso não se mude o ritmo das coisas, e não se estabeleça uma alternativa política que aglutine amplas forças e possibilite a célere destituição desse promotor de destruição e morte. Portanto, faz-se necessário estimular cada vez mais as iniciativas já postas de diálogo, focando a urgente defesa da vida, da democracia e da sobrevivência; aproximando os interesses em uma linha de ação que dê maior dimensão a importância política da CPI e sua devida interação mobilizadora com a sociedade. Abrindo, assim, brechas no escudo do conservadorismo e das ideias neoliberais, que constituem entraves e favorecem a resiliência do ocupante do Palácio do Planalto. Substimá-lo, apostando em suas fraquezas e sangramentos até as eleições, pode ser um crasso erro que custe o que resta do Estado de Direito existente.
As circunstâncias e o nível da luta, mesmo com o quase isolamento do capitão de milícias, ainda são bastante adversos às forças avançadas e democráticas. O indivíduo não se acanha em usar e abusar de todas as prerrogativas da presidência em seu favor; as crises sanitária e sócio-econômica impõem limites à imediata retomada das históricas mobilizações de rua por mudanças, diante da dinâmica e dispêndio voltados ao combate da pandemia e pela sobrevivência. A falta de unidade das forças progressistas e as visões diferenciadas sobre o tempo de impedimento mitigam a força das ações, ainda fragmentadas, sem criar um clima necessário.
No entanto, a realidade não espera os acertos e ajustes, segue aprofundando crises e pobrezas, e reproduzindo cepas e tragédias, empurrando as pessoas a reagir pela vida, gerando espaço para todo tipo de solução. Um Brasil deveras piorado, que se modela à lógica miliciana: onde se cria problemas no atacado para vender soluções no varejo; sob constante chantagem; com domínios de território e estímulo a subjetividades e a poderes subalternos; onde se estabelece a falsa sensação de liberdade frente ao Sistema para reproduzi-lo de forma mais opressora. Um mundo onde pode cair o dilúvio desde que esteja pronta a arca da salvação aos “justos”.
Não é à toa a resiliência do “Redentor prometido” em torno de 30% de apoiadores, sendo metade o núcleo duro (adoradores) e a outra metade dividida entre simpatizantes e beneficiados. Suas bases mais fiéis estão entre os evangélicos, os militares e os ruralistas (meio rural). São segmentos de alto controle interno e hierarquia; herdeiros do conservadorismo arcaico, avessos a todo conhecimento que não seja o rudimentar. Sempre dispostos a salvar o mundo de todos os “males” com seus parâmetros de “perfeição”.
Nesse sentido, derrotar Bolsonaro é minar suas bases, que mesmo que pareçam não são monolíticas, com argumentos convincentes que o descredencie, revelando seu oportunismo em forjar identidades; que não os representa no poder e nem cumprirá suas promessas. É preciso demonstrar o prejuízo que os atingem sobre suas credibilidades, empreendimentos, bem-estar da família. Fora os ruralistas, as patentes e os bispos a maioria no campo, nas forças de repressão e nas igrejas, seja de qualquer credo, são pessoas do povo, trabalhadores, gente que sofre os males da necro-política.
O rumo humanitário e patriótico é juntar todos os que defendem o Brasil (aparando as arestas) em amplos movimentos do institucional ao povo organizado para impedir o genocida o mais rápido possível para salvar vidas, restabelecer a democracia e valorizar a política. Sair do isolamento internacional e estabelecer relações soberana e solidárias com os outros países; reconstruir a economia com base na indústria, na infraestrutura, tecnologia e ciência, sob o comando do Estado. Sem dúvida o povo brasileiro encontrará o caminho certo para dar um Basta! às pretensões desse fascismo de fancaria.