Mourão contraria dados do Inpe sobre desmatamento da Amazônia
Vice-presidente diz que o índice de desmatamento em maio foi o menor dos últimos anos. Dados do Inpe aponta que foram 614 km², o segundo maior índice dos últimos cinco anos
Publicado 09/06/2020 16:02 | Editado 09/06/2020 16:22

O vice-presidente Hamilton Mourão disse que o desmatamento no mês de maio “caiu ao mínimo comparado com anos anteriores”, o que seria um objetivo conquistado. A fala do vice na reunião ministerial desta terça-feira (9) não tem respaldo nos dados revelados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Segundo apontou a Agência Reuters, os dados do Inpe revelam que o mês de maio foi o segundo maior dos últimos cinco anos. Dados do sistema Deter, do Inpe, que mostra avisos de desmatamento na Amazônia e que no momento tem dados disponíveis até 28 de maio, apontam uma área desmatada de 641 km² no mês passado.
O número é menor do que os 739 quilômetros quadrados registrados em maio do ano passado, mas superior aos 550 km² de maio de 2018, aos 363 km² de maio de 2017 e dos 408 km² de maio de 2016.
Na reunião, Mourão disse ainda que a meta do governo é reduzir também ao mínimo as queimadas na floresta.
“O segundo (objetivo) é nós não permitirmos que no segundo semestre ocorram as queimadas na extensão que ocorreram no ano passado. Então a meta para o nosso governo é termos um número de queimadas inferior ao mínimo histórico”, disse o vice-presidente.
Repercussão
“Inpe atrapalha previsão de pai Mourão. Na reunião ministerial o general pseudocientista disse que desmatamento na Amazônia em maio foi o menor. O Inpe, mundialmente reconhecido, diz que foi o maior em cinco anos. Em quem você acredita? Ditadura também falsificou”, disse o ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
Em nota, o Greenpeace Brasil disse que dados de satélite e o Inpe não mentem. “Mourão sim. Mesmo faltando três dias para fechar maio, foi o mês de maior derrubada da Amazônia no ano. Foram 612 km² de alertas de desmatamento”, diz a entidade.