Estados do Nordeste avançam nos índices de desenvolvimento educacional
Embora ainda desiguais, estados são os que mais avançam no Ideb do ensino médio desde 2005.
Publicado 24/02/2020 15:51 | Editado 24/02/2020 17:51

Dos dez estados brasileiros que avançaram no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio entre 2005 e 2017, quatro são do Nordeste: Pernambuco, Piauí, Maranhão e Ceará.
O ranking foi elaborado pelo Instituto Unibanco e divulgado pelo jornal O Globo neste domingo (23).
O Ceará era o 11º em 2005 e subiu para quarto em 2017. Pernambuco saltou da 20ª posição para a terceira, e o Maranhão, da 25ª para a 14ª. Já o Piauí saiu da penúltima posição para a 16ª.
“Não há solução mágica. Foi um trabalho de continuidade, que ultrapassou governos, uma política de Estado. Organizaram a rede, estabeleceram metas ousadas, mas factíveis e com sistema de monitoramento forte. As ideias vêm das próprias escolas. No Piauí, uma diretora percebeu que alunos do ensino médio faltavam muito na sexta-feira e decidiu botar baião de dois no almoço. O absenteísmo caiu”, conta Ricardo Henriques, do Instituto Unibanco.
Na taxa de abandono do ensino médio, onde a evasão é maior, o movimento se repete. Dos dez estados que mais melhoraram, oito são da região, e o ranking é liderado por Pernambuco, onde a taxa de abandono é de 1,2%. Em 2007, era de 24%. Para o pesquisador da consultoria IDados Guilherme Hirata, o fenômeno ainda é localizado. Ele aponta o Ceará como o caso mais evidente: “Sobral tem a melhor rede do país no quinto e nono ano”.
Outro caso bem conhecido, destaca Hirata, é o ensino médio de Pernambuco, que aposta no tempo integral: “Mas não foi só tempo integral. Houve melhoria na gestão, mais tempo de estudo em português e matemática”.
De 8 escolas para 400
Paulo Câmara (PSB), governador de Pernambuco, diz que educação é prioridade e um trabalho de longo prazo, que começou em 2007:
“Sabemos o que ocorre em cada escola de Pernambuco. Em 2007, o estado só tinha oito escolas com tempo integral, com menos de 2% dos alunos, e hoje tem 400, com 62%. A meta é chegar a 70% em 2022”.
No Ceará, Laura Machado, especialista de educação na cátedra do Instituto Ayrton Senna no Insper, vê avanço maior no ensino fundamental:
“Há um programa de incentivo para os municípios, com o ICMS. Quem apresenta bons resultados só recebe metade do prêmio. Só recebe a outra metade se ajudar outra cidade que está mal. É uma política de difusão de boas práticas muito forte”.
No Piauí, a capital é o destaque. Teresina aparece como a melhor no Ideb do ensino fundamental há cinco anos.
“Outra cidade, a de Cocal de Alves, coleciona uma lista de prêmios imensa. Mas não conseguiram ainda difundir as boas práticas”, aponta Laura.
O Globo