Jandira: Resistência aos fascistas não pode ficar restrita à esquerda
Representante do PCdoB nesta terça-feira (12) na Câmara dos Deputados, em Brasília, no debate “Crise política internacional e a luta popular”, do “Brics do Povo”, a líder da Minoria na Casa, Jandira Feghali (RJ), considerou impossível reagir aos avanços do fascismo na América latina se as forças sociais e populares não se integrarem na luta.
Por Iram Alfaia
Publicado 12/11/2019 13:42

Prosseguiu: “Essa luta não terá sucesso se se limitar a esquerda. Nós precisamos ser mais amplos que a esquerda para isolar os fascistas nesse país, para isolar os fascistas na América Latina. Essa é uma visão que nós temos, alguns podem não concordar com isso, mas se remontarmos ao período da ditadura militar, nós só fomos capazes de derrotar a ditadura ampliando os nossos horizontes.”
A líder dá o exemplo da árdua batalha dentro do Congresso Nacional. “A gente só isola os fascistas e os fundamentalistas aqui dentro quando a gente amplia nosso olhar. Na sociedade, nós só seremos capazes de derrotar os fascistas se a gente ampliar para (agregar) os democratas e progressistas desses país. Nem todo mundo na sociedade é de esquerda e nem todo mundo é fundamentalista de direita.”
Na sua argumentação, ela enfatizou que a esquerda sozinha não tem correlação de força para isolar os fascistas e virar o jogo.
A deputada prestou solidariedade ao povo boliviano, ao ex-presidente Evo Morales, a prefeita de Vinto, Patricia Arce, agredida por extremistas, vítimas de um golpe naquele país.
“O que aconteceu na Bolívia é muito expressivo para nós e deve nos alertar muito profundamente o que acontece na América latina”, disse.
Criticou o voto do Brasil a favor do bloqueio a Cuba, depois de 27 mantendo posição contrária, uma decisão abjeta de alinhamento automáticos aos Estados Unidos.
Multipolaridade
Segundo ela, num espaço como o “Brics do Povo”, que expressa a multipolaridade, é fundamental reconhecer que o mundo vive uma grande tensão e uma grande ameaça à paz.
“Não falo aqui de terceira guerra mundial, porque hoje vivemos guerras diferenciadas e de diversas dimensões pelo mundo, mas um mundo de tensão que corresponde a fase do capitalismo contemporâneo, agressivo, de expansão dos mercados e que corresponde a exatamente uma visão de resistência a multipolaridade”, argumentou.
Trata-se da visão do império estadunidense que resiste a multipolaridade no mundo, que tem no Brics a maior expressão. Porém, a parlamentar aponta uma fragilidade no bloco por causa da ausência do Brasil, diferente do período do governo do ex-presidente Lula.
Independentemente da posição do governo Bolsonaro, a deputada diz que se trata de um instrumento fundamental de independência regional de países em desenvolvimento.
A parlamentar diz que o deslocamento para o campo asiático, comandado pela China, de um polo econômico, político e tecnológico, incomoda os EUA que vivem um relativo declínio.
“Esse é um aspecto do mundo em transição que deve realçar aos nossos olhos e realçar na análise da realidade mundial”, afirmou, referindo-se as guerras hibridas e busca de expansão a partir da geopolítica internacional, sobretudo por parte do imperialismo norte-americano na América Latina.
Capital financeiro
A partir dessa análise, Jandira diz que é importante entender que o mundo está refém do chamado capital financeiro, que é o comandante do processo econômico.
“Nós temos hoje como massa financeira quase US$ 300 trilhões circulando que representa três vezes o PIB mundial. Essa busca acumulativa de capital leva a uma completa distorção da realidade mundial e uma profunda desigualdade”, argumentou.
Segundo a deputada, é um capital que não respeita fronteira e visa a desregulamentação do mundo do trabalho, do estado nacional, soberania dos países e a supressão de direitos sociais.
Além disso, aprofunda com grande força as desigualdades sociais. “Nós temos nessa acumulação de riqueza um dado em que 1% da população mundial acumula 50% da riqueza e 75% dos pobres tentam se virar com 3% da riqueza mundial”, diz.
Fake news
Outro grave problema apontado pela deputada é o uso da tecnologia da internet para influenciar na formação de opinião por meio das chamadas fake news violando a soberania popular como aconteceu no Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia) e nas eleições brasileiras, interferindo processo eleitoral.
Ela diz que o uso da tecnologia atua diretamente na formação de opinião, na mudança de comportamento do mundo, nas manifestações de ruas e nos confrontos violentos.
“São uso de profundas máquinas de dados, são big datas. Não é apenas uso de instrumento de comunicação”, explicou.