Medidas dos EUA já mataram 40 mil na Venezuela
Pesquisadores dizem que sanções impostas por Trump este ano representam uma “pena de morte” para dezenas de milhares de venezuelanos.
Publicado 15/05/2019 11:17

As sanções impostas pelo governo de Donald Trump contra a Venezuela para fragilizar o presidente Nicolás Maduro têm causado prejuízos graves à vida humana e à saúde da população, tendo como resultado estimadas 40 mil mortes entre 2017 e 2018 no país. A conclusão é do estudo “Sanções Econômicas como Punição Coletiva: O Caso da Venezuela”, publicado neste mês em português, inglês e espanhol pelo Centro de Pesquisas Econômicas e de Políticas Públicas (CEPR), nos Estados Unidos.
A estimativa do estudo se baseou em dados da Pesquisa Nacional de Condições de Vida (Encovi), levantamento anual realizado por três universidades venezuelanas, que apontou um crescimento de 31% da mortalidade entre 2017 e 2018 – um aumento de 40 mil mortes no período.
O documento aponta que as sanções do governo Trump reduziram a oferta de alimentos e medicamentos e aumentaram a incidência de doenças e a mortalidade no país, encaixando-se na definição de castigo coletivo da população civil estabelecida nas convenções internacionais tanto de Genebra quanto de Haia, das quais os Estados Unidos são signatários.
Segundo o estudo, mais de 300 mil pessoas estão em situação de risco por falta de acesso a medicamento ou tratamento médico. Os dados do relatório incluem 80 mil pessoas portadoras do HIV/Aids que não recebem tratamento antirretroviral desde 2017, 16 mil pacientes que precisam de diálise, 16 mil pessoas com câncer e 4 milhões com diabetes e hipertensão.
Além disso, a crise no fornecimento de energia elétrica também afetou hospitais e serviços de saúde.
Para o pesquisadores responsáveis pelo levantamento, Mark Weisbrot e Jeffrey Sachs, os números demonstram que as sanções impostas pelos Estados Unidos no início deste ano – muito mais rígidas que as de anos anteriores – representam uma “pena de morte” para dezenas de milhares de venezuelanos. “Isso é especialmente verdadeiro se a queda projetada de 67% na receita petroleira se materializar em 2019”.
O estudo ressalta também que a Venezuela seria capaz de adotar um programa para combater e controlar a hiperinflação caso não estivesse sofrendo com as sanções impostas pelos EUA. Com grandes reservas de petróleo e outros minerais para ajudar a garantir a recuperação econômica, não só seria possível evitar o aumento de 40 mil mortos, poderia haver uma redução da mortalidade e a melhoria dos indicadores de saúde.
A informação é do Monitor Mercantil