Coneb da UNE debate a mercantilização da educação no Brasil
O atual cenário de monopólio, fusão de grandes grupos internacionais, mercantilização e financeirização da educação superior privada no país foi tema de debate na manhã desta sexta-feira (8), na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, durante a programação do 15º Coneb da UNE.
Por Renata Bars, do site da UNE
Publicado 10/02/2019 13:06

A mesa ”Educação não é mercadoria: desafios do ensino privado no Brasil”, teve como convidados o presidente da Confederação nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), Gilson Reis, a ex-diretora de universidades privadas da UNE Katherine Oliveira e o professor especialista em direito e ex-vice presidente regional da UNE Augusto Vasconcelos.
Segundo o presidente da Contee, a luta entre o setor público e privado remonta os últimos quase100 anos. ”Não é um fenômeno recente . Desde os anos 30 inicia-se um setor que luta por uma educação pública e de qualidade com construção popular e um outro lado sempre lutando pelo processo de privatização ”, disse.
Para ele, a elite dominante nunca priorizou a educação como um bem público para todos.
”A ofensiva contra a mercantilização do ensino só seu deu a partir da eleição do ex-presidente Lula. Somente ali houve uma tentativa de recolocar a educação em outro patamar reforçando a educação pública com políticas como o Reuni, Prouni, a ampliação das federais, a construção do PNE com Dilma. Agora não há nenhum interesse na educação como direito, só como dinheiro”, avaliou.
Contudo, Gilson garante que, embora nunca tenha sido fácil, a resistência continua. ” Mesmo diante de todo esse cenário negativo, Esse encontro na Bahia, essa Bienal, poderá ser um marco importante na luta política brasileira . Nós estamos aqui unidos e vamos lutar transformar e resistir”.
Governo do desmonte
Augusto lembrou sua participação na Bienal de 99, também em Salvador, quando os estudantes já lutavam contra a privatização. Augusto é professor em duas universidades, uma pública e outra privada e afirma que as diferenças são gritantes.
”Trabalho na Unime, adquirida pelo grupo Kroton. Quando foi implantando o ensino à distância com maior carga horária, as ações nas bolsas de valores dispararam. Quando investidores perceberam que teriam um custo menor. A educação vira uma estrategia de acumulação de riqueza para poucos”, disse.
Para ele, o governo Bolsonaro é aliado do mercado.
”O novo governo é inimigo da educação. Temos um ministro da educação que não acredita que a universidade seja um direito de todos, o projeto de escola sem partido, temos até uma deputada que pediu para que alunos gravassem professores durante as aulas. Isso tudo é parte de um governo que prevê o desmonte da educação pública e é contra isso que precisamos lutar”, finalizou.