Tuíte pró-meritocracia de “príncipe” é alvo de críticas e piadas
Como se já não fosse absolutamente anacrônico e ridículo se auto-intitular "príncipe" e reivindicar um suposto "trono" brasileiro, Luiz Philippe de Orleans e Bragança, deputado eleito pelo PSL de Jair Bolsonaro e Alexandre Frota, agora também se esforça para passar vergonha no Twitter ao falar sobre meritocracia
Publicado 26/12/2018 16:57

O Brasil instaurou a República em 15 de novembro de 1889, extinguindo qualquer influência, autoridade ou direito da antiga família imperial sobre os destinos do país. Os integrantes da família de D. Pedro II, inclusive, foram banidos do país. Desde então, nenhuma Constituição brasileira voltou a dar qualquer tipo de crédito ou reconhecimento à banida família de aristocratas, que agora só existe como folclore.
Nos últimos anos, porém, com a ascenção da extrema direita no país criou-se um clima de conservadorismo e de apego a ideias retrógradas que acabou abrindo espaço para que uma turma de direitistas sem nenhum apoio político expressivo passasse a alimentar um discurso a favor da volta da monarquia no Brasil. Um delírio que, invariavelmente, faz as postagens deste grupo nas redes sociais serem alvo de muitas piadas.
Foi o que aconteceu nesta quarta-feira (26) com o deputado federal eleito Luiz Philippe (PSL-SP). Tido como trineto da princesa Isabel e tetraneto do imperador Dom Pedro II, o futuro parlamentar publicou em seu perfil no Twitter uma mensagem um tanto bizarra misturando darwinismo com "mimimi de progressista" e meritocracia.
Até as 16h30 desta quarta, a postagem já havia recebido mais de 1.200 comentários, a quase totalidade deles fazendo piada ou criticando o tuíte do autoproclamado "príncipe".
Um monarquista dando lição de competição e mérito é o mesmo que o ator porno dando lição de moral e bons costumes.
— Marcelo Ramos (@marceloramosam) 26 de dezembro de 2018
Até porque é conhecimento geral que Darwin escreveu que: "o ser humano adaptado para o mundo selvagem é aquele que trabalha duro e vive do suor do seu trabalho até ser recompensado com nascer príncipe herdeiro."
Por isso que o título original do livro era A origem dos sobrenomes. https://t.co/TmUqZqOBqc— Sabrina Fernandes (@safbf) 26 de dezembro de 2018
Entre os que comentaram a mensagem do deputado eleito em tom mais sério, de crítica, está o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). Utilizando seu perfil pessoal no Twitter, o governador lembrou que ele próprio, um progressista, foi aprovado em primeiro lugar num concurso para juiz mas nem por isso considera que exista meritocracia em país tão desigual como o Brasil.
Sou progressista. Considero que meritocracia em um país tão desigual não existe. E veja que, aos 25 anos, passei em 1º lugar no concurso de juiz federal. Nem por isso me acho “nobre” ou melhor do que os outros.
— Flávio Dino (@FlavioDino) 26 de dezembro de 2018
A deputada estadual gaúcha e ex-candidata a vice-presidente na chapa com Fernando Haddad (PT), Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) também tirou uma casquinnha do discurso pró-meritocracia do suposto príncipe: