Publicado 15/07/2018 14:35

"A representação é ilegítima porque a designação dos representantes está condicionadas por leis eleitorais condicionadas pelos principais partidos, pelo financiamento ilegal que esses partidos obtêm e pela manipulação de opinião no processo de comunicação", assim definiu o sociólogo e um dos principais teórios da comunicação, o espanhol Manuel Castells.
Ele não falava do Brasil, especificamente, mas do que ocorreu na construção da União Europeia e foi se propagando por todo o mundo. Lançando o livro “Ruptura — A Crise da Democracia Liberal”, pela editora Zahar, que traz uma análise da política associada aos meios de comunicação, Castells afirma que a crise na democracia do sistema liberal "está se autodestruindo pela sua própria prática corrupta".
As declarações foram dadas em entrevista por escrito à reportagem da IstoÉ, que divulgou a íntegra nesta sexta-feira (13). Apesar de não ter como destaque na introdução da matéria, Castells também criticou a Operação Lava Jato, na medida em que "a judicialização da política elimina a separação de poderes, que era a base da democracia liberal".
"Ela é a causa principal da crise institucional. Ela acontece em muitos países, mas, no Brasil, é muito mais brutal e mais direta, com objetivos diretamente políticos da parte do poder judicial", denunciou o sociólogo espanhol.
Acompanhando o que vem ocorrendo no maior país da América Latina, Castells não deixou de criticar o atual mandatário Michel Temer. "Ele, sim, é corrupto e simplesmente tentar terminar seus últimos meses colaborando com uma eleição que lhe garante a impunidade. O Brasil está completamente desestabilizado. A situação é extremamente perigosa", contou.
Segundo o teórico, "o pior mal do Brasil é a utilização da corrupção por um congresso majoritariamente corrupto" e tem como base à polarização com a "oligarquia política baseada em redes regionais de clientelismo, e seus aliados nas elites do capitalismo especulativo".
Á revista IstoÉ o cientista social afirmou que "Lula é claramente um preso político".