Ninguém precisa ser submetido às desigualdades que existem no Brasil
A pré-candidata à presidência da República pelo PCdoB, Manuela D’Ávila, esteve em Campinas na noite de 28/06 para participar do ciclo de debates Brasil um sonho intenso: saída para a crise e a construção de um projeto de país, organizado pelo DCE da Unicamp. A atividade lotou o auditório III do Centro de Convenções da universidade e foi preciso instalar telões em outro local para que todas as pessoas pudessem ouvir Manu falar.
Publicado 29/06/2018 15:22 | Editado 04/03/2020 17:15

Ela afirmou que a saída para o Brasil é a eleição, o povo dando o recado que deu nas últimas quatro eleições, e que varreu uma elite entreguista do governo federal. “O caminho é o povo tomar o poder em suas mãos”, disse. Segundo Manuela, houve um golpe antidemocrático, antinacional e antipopular, e a resposta tem que ser um projeto nacional de desenvolvimento, porque o campo progressista ama este país e todas suas as potencialidades. Para ela, terá que ser um projeto radicalmente democrático porque “só com o povo ocupando e participando das estruturas de poder nós teremos forças para fazer as reformas que nós queremos, pois o país precisa delas. É um projeto popular, feminista, antirracista, contra a homofobia, porque nenhum de nós precisa ser submetido ao conjunto de desigualdades que existe no Brasil”.

Para ela, não é possível que em 2018 ainda existam pessoas que acham que dinheiro vale mais do que a vida de uma pessoa. “É preciso dizer que a gente não acha isso, que a gente acha que este país pode ser rico porque ele é extraordinário, que a gente precisa produzir e distribuir riquezas. E que neste país, em primeiro lugar, estão as brasileiras e os brasileiros que não se calam. Nós merecemos viver e ser felizes”, arremata.
Foto: Fabiana Ribeiro
Antes do início do debate, um grupo de mulheres leu um texto em homenagem à Manuela, que destaca o caráter misógino da entrevista que ela concedeu ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Confira:
Helenira Rezende – Ex-presidenta da UNE durante a ditadura militar, foi brutalmente assassinada durante a Guerrilha do Araguaia. E foi desta maneira silenciada.
Dilma Rousseff – Primeira Presidenta da República eleita democraticamente sofreu um golpe parlamentar e teve sua voz silenciada.
Marielle Franco – Quinta vereadora mais votada da cidade do Rio de Janeiro, após realizar denúncias contra a milícia carioca foi brutalmente silenciada.
Manuela D’Ávila – Deputada estadual pelo Rio Grande do Sul e pré-candidata à presidência da República foi interrompida 62 vezes durante o programa Roda Viva nesta segunda-feira. Tendo assim, sua voz silenciada.
Diariamente diversas mulheres são sutil e brutalmente silenciadas nas ruas, nas escolas, nas empresas e na política. O Brasil é o 5º país em feminicídio de um ranking de 83 países. Independente de tudo isso, nós mulheres resistimos e continuamos falando, gritando, lutando e ocupando os espaços.
Deixem elas falarem!