Protestos da população barram reforma da Previdência na Argentina
Uma vitória do povo argentino contra a reforma da Previdência: enfurecidos, dezenas de milhares de trabalhadores saíram às ruas contra o projeto de Macri e, mesmo com o enorme aparato repressivo do Estado, a grande manifestaçao popular contra a reforma surtiu efeito positivo. O Congresso teve de suspender a sessão.
Publicado 15/12/2017 11:31

Na quinta-feira (14), os aliados do presidente da Argentina, Maurício Macri, tiveram de recuar e suspender a votação do projeto de reforma da Previdência enviado pelo Executivo. Após violentos confrontos entre manifestantes e policiais do lado de fora do Parlamento, o presidente da Câmara, Emilio Monzó, optou por encerrar a sessão, apesar de contar com quórum suficiente, de 129 deputados.
Os incidentes aconteceram nos arredores do Congresso, quando dezenas de milhares de argentinos se reuniam para pedir aos legisladores a rejeição da proposta da Casa Rosada para reduzir o deficit fiscal.
Alguns deputados da oposição, como Facundo Moyano e Victoria Donda, deixaram o prédio do Congresso e se uniram aos participantes, convocados por centrais sindicais. Os oficiais da Gendarmeria (a Guarda Nacional argentina) tentaram dispersar a multidão com balas de borracha e jatos d’água, enquanto os manifestantes reagiam com pedras e garrafas. Em meio à confusão, parlamentares e jornalistas foram feridos.
A proposta de Macri modifica a metodologia de cálculo das aposentadorias. O texto altera a chamada “fórmula de mobilidade”, que atualmente beneficia mais de 17 milhões de aposentados e pensionistas. Em vez do ajuste semestral, calculado com base em 50% da evolução dos salários e 50% da arrecadação, a reforma propõe ajustes de 70% pela variação da inflação e 30% pela variação de um indicador do Ministério do Trabalho, que mede a evolução dos salários dos servidores públicos.
A reforma da Previdência na Argentina, assim como no Brasil, faz parte do pacote de retirada de direitos dos trabalhadores e da tentativa de desmonte da soberania nacional. Contudo, o povo já mostrou nas ruas que não vai aceitar a reforma da Previdência do governo Macri.
De acordo com opositores, a medida implicará, no longo prazo, na desvalorização dos benefícios. Ao indexar o reajuste à inflação, e não mais à arrecadação, o governo prevê uma economia de até 100 bilhões de pesos argentinos (cerca de R$ 19 bilhões), pois as aposentadorias não aumentarão mais no mesmo ritmo das receitas.
Com o novo cálculo, o próximo reajuste, em março, seria de 5,7%, contra 12%, segundo a oposição. O governo insiste que a reforma é fundamental para reduzir o deficit fiscal, apesar dos argumentos contrários.
Con un blindaje de efectivos de seguridad sin precedentes en torno al Congreso Nacional se movilizan los centrales obreras para protestar en contra de la reforma previsional. @ConexiontlSUR @tlSURArgentina @temasteleSUR pic.twitter.com/N3ip5btMLd
— Edgardo Esteban (@edgardotlsur) 14 de dezembro de 2017