Ala tucana articula troca relator de denúncia contra Temer
Michel Temer manobrou para emplacar o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) como relator da segunda denúncia na Comissão de Constituição (CCJ) da Câmara, que desta vez também inclui os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência). A decisão foi entendida como uma provocação por parte da ala tucana que defende o desembarque da sigla do governo.
Publicado 30/09/2017 13:22

Agora, a provocação se transformou em declaração de guerra com a bancada da Câmara, obrigando a cúpula do PSDB a entrar em campo para pressionar o deputado tucano Bonifácio de Andrada (MG) a abandonar a relatoria.
Como Bonifácio já sinalizou que não vai renunciar, se discute a possibilidade de destituição dele da comissão. O que só aumentaria o clima de tensão entre os tucanos, que na primeira votação ficaram divididos no apoio a Temer.
A encrenca bateu à porta do presidente em exercício do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), que conversou com o líder da bancada na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), sobre o caso.
Segundo fontes, Tasso e Tripoli concordam que Bonifácio deve sair. Tasso teria conversado também com o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que já se manifestou contra a relatoria do seu correligionário.
Com a popularidade ao nível de 3%, duas denúncias no Supremo Tribunal Federal por crimes de corrupção e uma agenda rejeitada pela população, parte da bancada tucana está preocupada em continuar sustentando o governo que botou no poder às vésperas das eleições.
"O incômodo é muito grande, parece que a escolha do Bonifácio foi para provocar um segmento do partido que defende a saída do PSDB do governo. Se o partido está dividido em relação ao tema, o mais recomendado é que não fosse alguém do PSDB pra fazer o relatório. Isso me parece uma brutal provocação e um desrespeito às divergências que existem no PSDB", disse Ferraço em entrevista à rádio Jovem Pan.