Gilmar Mendes: Miller não era braço direito, mas o cérebro do Janot
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou que tem certeza que foi gravado pelo dono da J&F, Joesley Batista, que, por sua vez, também não nega que tenha feito gravações de ministros do Supremo.
Publicado 12/09/2017 10:49

De acordo com nota publicada pela jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo desta terça-feira (12), Mendes está seguro de que foi gravado pelo executivo no dia 1° de abril desde ano, num encontro no IDP (Instituto de Direito Público), escola de Direito da qual Mendes é sócio. O encontro teria acontecido cerca de três semanas após o empresário ter gravado conversas com Michel Temer.
“Eu hoje estou convicto disso”, disse o ministro, que se encontrou com Francisco de Assis, advogado da J&F, em abril, e de surpresa Joesley apareceu. Nesse período, os executivos da JBS já negociavam acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR).
“O grave é que eles estavam sendo pilotados pela PGR, mais especificamente pelo [ex-procurador] Marcello Miller, que não era o braço direito e sim o cérebro do [procurador-geral] Rodrigo Janot”, diz Mendes. “Os próprios delatores dizem em suas conversas que tinham a tarefa de destruir o STF. Eles não investigavam mas sim tinham um projeto de poder”, acrescentou.
Ainda de acordo com a colunista, há informações de que profissionais do IDP, do qual Mendes é sócio, podem ter sido grampeados.
A irritação de Mendes é reforçada pelas revelações trazidas pelas conversas divulgadas em que Joesley e o executivo Ricardo Saud falam sobre uma estratégia para “dissolver o Supremo”, por meio de conversas gravadas com ministros. O objetivo era incluir as gravações no acordo de delação. Na conversa, os executivos chegam a citar o próprio Gilmar Mendes e a presidente do STF, Cármen Lúcia.
O encontro no IDP teria servido para esse objetivo. Gilmar Mendes garante que se ele realmente foi gravado, a conversa ocorreu dentro da “normalidade”. Um dos pontos tratados na reunião com Joesley foi sobre um agronegócio que seria julgado no STF dias mais à frente. Mendes votou contrário à opinião da JBS sobre o caso.