Mostra de Artes Visuais provoca e Bienal responde com reinvenção
O que a arte representa em meio a um cenário de incertezas e instabilidade política? O conjunto de obras e performances apresentados durante a vernissage da Mostra Selecionada de Artes Visuais da 10ª Bienal, na noite deste domingo (29), em Fortaleza, no Dragão do Mar, levou essa provocação ao público.
Publicado 30/01/2017 12:24 | Editado 13/12/2019 03:30

Ao todo, são 24 trabalhos que passaram pela coordenação e curadoria da mediadora cultural e artista visual Andressa Argenta e do integrante do Circuito Universitário de Cultura e Arte (Cuca da UNE), o estudante de Relações Públicas Bruno Bou.
‘’Todas as obras conversam em si. Não é só uma mostra universitária, é importante pensar e valorizar esses trabalhos que estão em processo, porque hoje no Brasil a gente valoriza os caras que estão no alto escalão, mas não valoriza os trabalhos dos universitários, então, uma missão da curadoria é criar essa potência. Por que não uma mostra universitária ser uma baita mostra?, indagou Andressa.
A exposição intitulada ‘’Provocações’’ tem inspiração no movimento neoconcreto, que assim como o tema da Bienal, Feira da Reinvenção, propõe reflexões sobre a transformação dos povos, das culturas e a coragem de se reinventar em um mundo onde tudo parece acontecer ao mesmo tempo e agora.
Performances também levam o público ao estado de provocação proposto pelas obras. Enquanto o expectador passeia pela galeria pode se deparar com fitas de cetim que seguem seus pés ou com uma caixa de objetos que o convida a experimentar lembranças.
‘’A mostra selecionada da Bienal nos dá a chance de conhecer a produção artística universitária de forma bem íntima. Conseguimos ter uma dimensão da pluralidade brasileira, já que temos trabalhos de diferentes estados’’, falou o coordenador Bruno Bou.
O tema político ficou bastante evidente durante toda exposição. ‘’Se minha escola fosse minha’’, com imagens das ocupações de escolas; ‘’O muro (des)humano’’, fotografia de um cordão policial realizado durante uma manifestação ou o grafite de Albert Lazarini, obra que foi apagada durante a vernissage em protesto ao programa Cidade Linda, lançado pelo prefeito de São Paulo, João Dória, mostram como a arte pode ser política.
‘’Aqui podemos ver obras politizadas, umas mais claras, outras mais enigmáticas, mas isso basta para mostrar que as artes visuais vêm cumprindo esse papel político também. A Bienal é um grande encontro pós-golpe’’, concluiu Bou.