Jogadora do vôlei argentino leva sua raiz indígena para a Olimpíada

A jogadora mais baixinha da seleção de vôlei da Argentina, Emilce Fabiana Sosa, ou melhor, a Mimi Sosa, se destaca não só pela baixa estatura e alto desempenho, mas pela história que carrega tatuada no antebraço. Quem prestar atenção vai ver a frase “Otetsel ta n’am talakis”, que na língua wichi quer dizer “Minhas raízes, minha história”. A atleta olímpica cresceu em uma comunidade indígena na região mais pobre da Argentina e traz essa história na pele.

Por Mariana Serafini

Mimi Sosa - Atsushi Tomura

Filha de professores que atuam na região rural, ainda criança Mimi Sosa se mudou para uma comunidade Wichi na região de Formosa, no norte da Argentina. Como passou boa parte da vida entre os indígenas, reivindicou esta história para si e se considera também um membro da comunidade. A homenagem às origens não poderia ser melhor, ela tatuou a história no braço e costuma levantá-lo na altura da testa sempre que bloqueia uma adversária, é sua “assinatura” no vôlei.

Hoje uma “pantera”, como são chamadas as jogadoras do vôlei feminino na Argentina, Mimi Sosa volta à comunidade wichi sempre que possível para visitar os amigos de infância e as pessoas que acompanharam seu desenvolvimento no esporte.

Mimi conta que sua infância entre os wichi é importante porque foi onde “aprendeu a viver”. E hoje ela é madrinha de uma equipe infantil de vôlei na comunidade que a acolheu, e visita com frequência o clube da região, Huracán de Ibarreta. “É uma forma de agradecimento por tudo o que me deram na infância”, conta.


Mimi Sosa fazendo pãezinhos para o Natal com as crianças wichis | Arquivo pessoal

As Panteras perderam para o Brasil na noite desta segunda-feira (8), mas seguem firmes na competição. Esta é a primeira vez que a seleção feminina de vôlei argentina chega à Olimpíada e Mimi Sosa logo voltará à Formosa para compartilhar esta experiência com os amigos wichi.