Lavrov: aliados dos EUA tentam minar o processo de paz na Síria
Em entrevista exclusiva para a agência de notícias russa Sputnik, nesta quarta-feira (4), o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, denunciou o papel negativo de alguns aliados dos EUA diante da difícil manutenção do regime de cessar-fogo na Síria. O assunto veio à tona diante de alguns fatos contraditórios envolvendo a regulação da crise naquele país.
Publicado 04/05/2016 17:39

Em particular, Lavrov denunciou omissão de Washington, enquanto aliado da Turquia na Otan, diante da recusa ilegal de Ancara em aceitar representantes curdos nas negociações em Genebra.
Junto a isso, ele citou a inaptidão, ou a recusa, de Washington em desvincular grupos da chamada "oposição moderada" (apoiada pelos EUA) de organizações terroristas como Frente al-Nusra e o Estado Islâmico, enquanto que muitos fatos indicam para a existência de laços destas organizações com a Turquia.
"Tenho a impressão – e há confirmações disso em forma de informações ainda não verificadas – de que esses grupos [da oposição moderada] continuam de propósito ao lado da Frente al-Nusra, para que esta não seja perturbada. Se isso for verdade, então isso explicaria as constantes justificativas dadas pelos americanos por eles ainda não terem conseguido cumprir o prometido – desvincular a "boa oposição" [a chamada oposição moderada] das posições da Frente al-Nusra" – constatou Lavrov.
"Provavelmente, quem aposta nisso são aqueles que apoiam a al-Nusra para minar a trégua e fazer de tudo para conduzir a situação de volta à disputa violenta. Isso seria totalmente inaceitável. Portanto, a partir de agora, passaremos a chamar a denunciar isso não apenas no âmbito do diálogo russo-americano, mas também no âmbito do Grupo Internacional de Apoio à Síria" – explicou o chanceler russo.
Lavrov destacou ainda o constante problema da fronteira turco-síria. Nas suas palavras, enquanto que o posto oficial de controle fronteiriço foi fechado pelos turcos para a passagem de cargas humanitárias, o resto da fronteira continua permitindo o contrabando de armamentos, combatentes e petróleo pelos terroristas.