Aldo Rebelo: Progresso com emprego
O profissional que iluminava as cidades nos séculos 18 e 19, cuidando de colocar óleo de baleia ou querosene nos lampiões e a seguir acender os bicos de gás, foi uma vítima poética da tecnologia. A rede de lâmpadas elétricas acabou com o acendedor de lampiões, e o ofício permaneceu como símbolo dos muitos extintos pelo avanço do progresso que introduz conforto e facilita a vida moderna.
Por Aldo Rebelo*
Publicado 15/06/2015 08:28

O Acendedor de Lampiões
Este mesmo que vem infatigavelmente
Parodiar o sol e associar-se à lua”
Jorge de Lima
O Acendedor de Lampiões
Embora decorra do incontrolável avanço do progresso, a redução de postos de trabalho causada pela inovação gera tensões na classe trabalhadora. Foi por isso que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação abriu um fórum de debates com o movimento sindical para avaliar e buscar formas de convivência com os impactos de novas tecnologias no mundo do trabalho. A seguir, faremos um grande seminário nacional sobre o assunto.
A baliza inicial, no entanto, é que as conquistas científicas e tecnológicas são irreversíveis e, no geral, úteis à Humanidade. O desafio de uma sociedade democrática e socialmente avançada é reduzir os efeitos colaterais da “destruição criadora” trazida pelo progresso, para que não gerem um vazio mundo paralelo, insensível às necessidades de milhões de pessoas que têm no trabalho a chave da proteção social.
*Atual ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, ex-ministro do Esporte, membro do Comitê Central do PCdoB. Esta é a primeira parte do artigo.