Continuam diálogos de paz entre Farc e governo colombiano

As delegações das insurgentes Farc-EP e do governo colombiano continuam, nesta quinta-feira (30), os diálogos sobre o tema das vítimas do conflito nessa nação sul-americana, como parte do processo de paz iniciado em 2012.

Exército Farc - AFP

No contexto destes diálogos com o governo de Juan Manuel Santos, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (Farc-EP) expressaram a necessidade de levar adiante "este processo de paz que acendeu novamente a chama da esperança".

Além disso, comemoraram o aniversário 15 do lançamento do Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia, recordando o caráter de alternativa política que reveste esta organização em prol de um melhor país.

Nesse sentido, a guerrilha recordou a importância deste movimento político clandestino como instrumento para mudar a realidade colombiana e combater a corrupção em todos os níveis nessa nação sul-americana.

“A Colômbia pode ser governada de outra maneira. Por que têm que reger nosso destino as mesmas castas oligárquicas de sempre?”, questionou o comandante guerrilheiro Pablo Catatumbo.

“Estamos fartos de corrupção: de magistrados corruptos, de sistemas eleitorais fraudulentos, da entrega de nossas riquezas e nossa soberania às multinacionais, de desaforos do poder e da brutal repressão”, denunciou.

Frente a essa situação, Catatumbo convocou os colombianos a se reunirem em torno deste Movimento Bolivariano surgido em 2000 durante o processo de paz em San Vicente de Caguán e que pretende mudar a política, a economia, a educação, em prol da justiça social na Colômbia.

Por outra parte, ante uma pergunta da imprensa por ocasião das declarações do Procurador Geral, Alejandro Ordóñez, sobre o tema das pulverizações aéreas com glifosato, Catatumbo reiterou a postura das Farc-EP contra essas fumigações devido aos danos que provocam à população e ao meio ambiente.

“No mundo inteiro é quase uma decisão unânime que o glifosato é daninho, prejudicial para os seres humanos, para os cultivos, para a gente humilde que trabalha no campo”, expressou o porta-voz insurgente ao recusar o "uso desse veneno que só serve para enriquecer mais a companhia Monsanto".

A questão sobre o uso de glifosato para fumigar cultivos ilícitos encontra posições divergentes dentro do governo da Colômbia, considerando a recomendação do Ministério de Saúde desse país de deixar de empregar este herbicida depois que a Organização Mundial da Saúde o qualificou como provável cancerígeno.

Fonte: Prensa Latina