PCdoB é homenageado pelos 93 anos em Grande Expediente no RS
Nesta quinta-feira (19), o PCdoB foi homenageado em Grande Expediente na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, pela passagem de seus 93 anos, que completa na próxima semana (25). O ato proposto pela líder do partido e também presidente estadual da sigla, deputada Manuela d’Ávila, resgatou durante 20 minutos a história do legenda e as bandeiras defendidas pelos comunistas.
Publicado 19/03/2015 19:09 | Editado 04/03/2020 17:09

Emocionada em seu primeiro Grande Expediente, Manuela escolheu um curto período de tempo da história do país – de 1935 a 1953 – para contar um pouco da trajetória do partido na luta pela democracia, pela paz, pelos direitos do povo brasileiro e pela soberania nacional. Contou a história de Angelina, uma operária fabril, militante da ANL – Aliança Nacional Libertadora – e do PCdoB, que foi morta em 1950 na cidade de Rio Grande em um ato no dia 1 de maio.
Fez referência aos tempos difíceis vividos durante o Estado Novo, à luta contra a perseguição aos comunistas, contra o nazi-fascismo. Destacou também que no curto período da legalidade o PCdoB elegeu uma grande bancada para Assembleia Constituinte de 1946 e seus parlamentares defenderam causas como a liberdade religiosa, a lei do divórcio, o voto universal e direitos para mulheres e negros.
Combate ao conservadorismo neoliberal
Com as galerias lotadas por militantes, que desfraldavam bandeiras do partido e cartazes com dizeres de lutas que compõem a história do Brasil, como a campanha pelas Diretas Já, o Petróleo é Nosso, Legalidade, a Reforma Política e outras, Manuela fez referência ao final da década de 90, quando ela e o deputado Juliano Roso ingressaram no partido. Relembrou a aliança da esquerda para derrotar o neoliberalismo e iniciar um novo ciclo de desenvolvimento representado por Lula e Dilma, onde se obteve conquistas como a valorização do salário mínimo, a retirada de milhares de brasileiros da miséria, a criação do ProUni e do Minha Casa Minha Vida. Reconheceu as contradições nos governos, mas saudou os inegáveis avanços alcançados pela população nesse período.
A oradora avaliou que o ciclo de 12 anos, iniciado por Lula, vive a sua maior crise, que não tem apenas uma razão única, pois ao passo que consagra mais uma vitória à esquerda elege também um congresso muito conservador. Manuela citou a operação Lava-Jato e que os setores conservadores que não aceitam mais uma derrota eleitoral usam de uma justa bandeira do povo brasileiro, que é o combate a corrupção, como desculpa na tentativa de acabar com a democracia. “Nós já vimos o filme de movimentos contra os comunistas, como tiveram na manifestação do domingo”, sentenciou a deputada, e disse que para o PCdoB o ambiente democrático é muito valioso “no Brasil o parâmetro da vida democrática pode ser medido pela nossa legalidade”.
O deputado Juliano Roso, fez um aparte na fala, e disse que os 93 anos do partido se confundem com a história do país “pelo histórico de luta pela democracia, trabalhadores, pelos direitos sociais e pela liberdade”. Ao final, Manuela declamou os versos da poeta também comunista, Lila Ripoll em homenagem à Angelina “Morream? Quem disse se vivos estão! Não morre a semente lançada na terra. Os frutos virão”.
De Porto Alegre