Chinaglia: reforma política deve ser votada em 2015
Candidato a presidente da Câmara dos Deputados, o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP) participou nesta terça-feira (13) de encontros com a bancada cearense e de um almoço com o governador Camilo Santana (PT), em Fortaleza. Em entrevista a uma TV local, ele destacou que a proposta de reforma política deve ser votada ainda este ano pela Câmara.
Publicado 14/01/2015 10:38

Mesmo não sendo tão ampla quanto deveria, Chinaglia reafirmou a necessidade de promover mudanças. Apontando o clima de disputa dentro do parlamento, ele explicou que se cada parlamentar quiser as mudanças que deseja a reforma política não será feita, assim como não é possível realizar a reforma tributária porque cada grupo quer a aprovação de suas propostas e manutenção de seus interesses.
“Não se trata de ser otimista ou não. É que eu tenho experiência, estou há 20 anos na Câmara dos Deputados e nós temos que trabalhar mesmo sabendo que as dificuldades são inúmeras. Todo mundo fala que é a favor de uma reforma política, por exemplo, mas na hora de escrever a proposta e de votá-la cada partido se orienta também por seus interesses”, salientou o deputado.
Segundo ele, não se pode criar ilusões, “senão perde credibilidade”. Ele lembra que a reforma política entrou na pauta, entre 2007 e 2008, quando era presidente da Câmara. “Na hora que caiu na pauta financiamento público e lista pré-ordenada, não evoluiu. A reforma não é tão ampla como muitos gostariam”, recordou Chinaglia.
O secretário-geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, em entrevista coletiva também nesta terça (13), reafirmou a agenda permanente de diálogo com a sociedade prometida pela presidenta Dilma Rousseff e disse que o debate sobre a reforma política será retomado no segundo trimestre.
Disputa na Câmara
A eleição na Câmara acontece no próximo dia 1º de fevereiro. Segundo Chinaglia, dos 22 deputados federais eleitos pelo estado ele conta com o apoio de 17. Otimista, o deputado José Nobre Guimarães afirma que o Nordeste será a ponta de lança da vitória de Arlindo, que se comprometeu a criar uma comissão temática sobre o Desenvolvimento Regional na Câmara dos Deputados.
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O senador Demóstenes era um feroz crítico da falta de ética de parlamentares, mas foi cassado em 2012 por seu envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira, pego na operação Monte Carlo da Polícia Federal.
Chinaglia diz que para “defender que deveria ter uma nova CPI, alguém teria que ter conhecimento sobre até onde vão as informações do caso. Os depoimentos estão aguardados. Para defender uma nova CPI, teria que ter o chamado fato determinado”.
Panorama
O parlamentar também fez uma avaliação sobre a disputa na Câmara. Segundo ele, os votos da bancada não são em bloco e, portanto, haverá divisão de votos entre os partidos. “Eu diria que quase todas as bancadas se dividem na eleição da Câmara. Ali não é votação na pessoa jurídica, é na pessoa física. Os deputados escolhem aquele que entendem ser o que vai conduzir melhor a Câmara. Vai haver divisão na base e na oposição também. É normal. A eleição na Câmara não é uma continuidade da disputa das eleições gerais”, explicou Chinaglia.
Um exemplo disso é a presença do representante do PMDB na audiência, Aníbal Gomes. O parlamentar afirma que só vai escolher o seu candidato após ouvir seu companheiro de legenda e candidato Eduardo Cunha, que estará em Fortaleza na sexta (16). “Vamos ver quem tem propostas mais convincentes”, afirmou Aníbal.
Num eventual segundo turno com o líder do PMDB, Chinaglia disse que conta com o voto de Raimundo Gomes de Matos, único tucano da bancada cearense. Matos, que não participou da reunião, votará no candidato lançado pela oposição, Júlio Delgado (PSB-MG), mas em entrevista ao jornal O Povo disse que, atendendo ao pedido de Chinaglia, discutirá com o PSDB o apoio ao petista.
“Tive convivência com o Chinaglia quando ele foi presidente e nada me opõe a abrir esse diálogo com a bancada”, disse Matos.
Da Redação, com agências
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