Domenico De Masi defende redução da jornada de trabalho
O sociólogo italiano Domenico De Masi, autor dos livros “O futuro chegou” e “O ócio criativo”, participou, nesta terça-feira (27), de audiência pública no Senado para abordar o tema "Cenários do Futuro nos próximos 50 anos". Durante o encontro, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) fez referência as campanhas sindicais em defesa da redução da jornada de trabalho no Brasil, atualmente estabelecida em 44 horas semanais.
Publicado 28/05/2014 14:31

Comentando a proposta do senador Inácio Arruda, de reduzir a jornada para 40 horas semanais, De Masi defendeu jornadas semanais de 15 horas. Ele disse que há vários tipos de trabalho e que o trabalho intelectual não para nunca, pois o intelecto precisa estar sempre atento ao mundo que o cerca.
“Smartphones, tablets e redes sociais são instrumentos que liberam tempo, permitem interações, facilitam conhecimentos. São os melhores aliados do ócio criativo. Eles reduzem a possibilidade de estar isolado ou desinformado, por exemplo. Eles são grandes aliados se usados com sabedoria”, disse De Masi.
Defensor do ócio criativo, De Mais avalia que “o trabalho é um vício, não uma virtude. Um vício imbuído pela religião, para compensar o pecado original. No paraíso não se trabalha. Por ‘ócio criativo’ não quero dizer repousar, perder tempo ou não fazer nada, rendendo-se à preguiça”.
Ele explica que o “ócio criativo” representa aquela atividade humana em que convergem e se confundem o trabalho com que criamos riqueza, o estudo com que criamos conhecimento e o jogo com que criamos alegria. “É a atividade do artesão, do artista, do empreendedor, da dona de casa, do cientista quando desenvolvida com curiosidade, motivação, criatividade e satisfação.”
Este é o futuro
Para o sociólogo, “o Brasil é um país circundado por outros 10 povos e nunca provocou guerra com ninguém, exceto com o Paraguai, no século 19. É um país de cultura pacífica interna e externamente. Além disso, valoriza a vida coletiva, a cultura, as festas populares.”
Ainda em 1930, recordou o sociólogo, foi dito pela primeira vez, pela voz de um personagem do livro País do Carnaval, de Jorge Amado, que o Brasil seria o país do futuro. Uma década depois, o autor austríaco Stefan Zweig usou a mesma expressão como título de um livro sobre as possibilidades do país.
“Agora, compara o intelectual italiano, o Brasil tem o sétimo maior Produto Interno Bruto (PIB) do planeta, conta com grandes intelectuais e possui dezenas de boas universidades. “O futuro chegou. Este é o futuro”, disse De Masi, ao final da audiência, promovida conjuntamente pela Comissão Senado do Futuro e pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte.
Da Redação em Brasília
Com informações da Ass. Sen. Inácio Arruda