Iago Montalvão: “Da América sou filho, a ela me devo”
Tendo em vista as situações de atentados aos direitos democráticos do povo latino-americano, como na destituição do presidente Fernando Lugo no Paraguai em 2012 e na tentativa de golpe contra o presidente Nicolás Maduro nas últimas semanas na Venezuela.
Por Iago Montalvão*, em seu blog
Publicado 27/02/2014 17:23

que passei nessa terra bem amada:
apenas me lembro de suas ternuras”
José Martí sobre a Venezuela
Como já dizia o grande poeta Johann Wolfgang von Goethe: "Quem de três milênios, não é capaz de se dar conta, vive na ignorância, na sombra, a mercê dos dias, do tempo.", isto é, qualquer pessoa que apreenda minimamente esses processos históricos, que tenho aqui a necessidade de simplificar, tem condições de compreender a situação da América Latina em várias esferas da sociedade, mas tem, sobretudo, a capacidade de se solidarizar e se inspirar na luta travada também nesses últimos séculos nos mais diversos espaços desse continente, seja através da resistência de Canudos e da coluna Prestes, ou da independência e da Revolução Cubana, da espada de Bolívar ou da lança de Tupac Amaru, lutas estas que continuam até hoje e representam “um pueblo sin pé, pero que camina”, que busca sofridamente seus direitos e a soberania de seus povos, mas que não perde sua generosidade, tampouco sua ternura, jamais.
Enquanto isso, a grande burguesia desses países e o Estados Unidos da América, através do qual os primeiros são sustentados, sentem-se ameaçados com o avanço e o fortalecimento das lutas populares e dos governos progressistas, por isso não recuam, nem sequer pensam duas vezes antes de mostrar suas garras novamente, o que não é nenhuma novidade, basta retornar à história dos regimes militares na América Latina para elucidar qual o papel esses setores exerceram, e exercem, ao interferir na soberania de nossos países. Por isso, Washington e a corporação midiática burguesa(ou Partido da Imprensa Golpista – PIG) voltam-se para o ataque à democracia venezuelana todo apoio à Leopoldo Lopez, líder da oposição conservadora, ligado à indústria petrolífera (em que a Venezuela é destaque mundial de produção), que sem paciência nem respaldo popular suficiente para apontar discordâncias pelas vias democráticas, insiste em realizar um golpe e tirar à força, através do caos e da pressão internacional, a presidência de Maduro.
Hoje, faz-se necessário àqueles que defendem a soberania da América Latina e uma saída socialista para nosso continente, retomar o legado de toda essa história de combate e luta por “Nossa América” e defender as forças progressistas que avançam em vários países, em especial na Venezuela através da Revolução Bolivariana, iniciada pelo líder Hugo Chavez, que, apesar de todas contradições que o país carrega de sua história, vem dando novas perspectivas à população venezuelana, ampliando a democracia, os direitos sociais e fortalecendo a solidariedade entre os povos, isto é, governos democraticamente eleitos, que nos últimos 15 anos desde a chegada de Hugo Chávez à presidência, já realizaram 19 consultas à população – entre eleições, referendos e plebiscitos – e o chavismo saiu vitorioso em 18 delas, promovendo reformas sociais que ampliaram a educação e levando mais saúde para o interior do país, através de convênios com médicos de Cuba, país que há décadas sofre com o embargo comercial norte-americano e hoje tem muito a agradecer pela ajuda venezuelana a seu povo.
A revolução Bolivariana, o líder Hugo Chavez, o presidente Nicolas Maduro e o povo venezuelano devem representar pra nós toda essa história de enfrentamento do nosso povo e que constituem a nossa formação identitária, por isso devemos repudiar qualquer tentativa de golpe que tente impedir ou fazer retroceder os avanços da luta e da resistência latino-americana, só assim conseguiremos dar novos, e cada vez mais largos, passos em direção à soberania e à emancipação de nossos povos.
Abaixo o golpe conservador e imperialista!
Viva Chávez e Maduro!
Viva a América Latina!
*Iago Montalvão é estudante de História, diretor da UNE e presidente do DCE da Universidade Federal de Goiás.