Ato de apoio a Freixo reúne políticos, artistas e intelectuais
Representantes de movimentos sociais e da sociedade civil, intelectuais, artistas, políticos e magistrados se reuniram na noite desta segunda-feira (17) no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no centro da capital fluminense, para um ato de desagravo em apoio ao deputado estadual Marcelo Freixo (Psol).
Publicado 18/02/2014 11:03

Entre os presentes no ato estavam o deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ), os senadores Randolfe Rodrigues (Psol-AP) – pré-candidato à Presidência ao lado de Luciana Genro, também presente ao evento -, Lindbergh Farias (PT-RJ) – pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro -, o cantor e compositor Caetano Veloso; o antropólogo Luiz Eduardo Soares, a socióloga Julita Lemgruber, o ator Gregório Duvivier, entre outros.
Os participantes do ato criticaram a maneira como a grande imprensa, principalmente a Rede Globo, cobriu o processo de investigação sobre a morte do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade, atingido por um rojão disparado durante um protesto na capital fluminense no último dia 6.
No último dia 9, o estagiário do advogado Jonas Tadeu, que representa os acusados pela morte do cinegrafista, afirmou que recebeu ligações da ativista Elisa Quadros, conhecida como Sininho, dizendo que o suspeito que acendeu o rojão era ligado à Freixo. A polícia colheu o depoimento do estagiário e fez um termo de declaração. Para o deputado, a denúncia feita pelo advogado é frágil e beira o absurdo.
No dia 10, o deputado, em entrevista coletiva, negou qualquer relação com os suspeitos da morte de Santiago. “Não tenho a menor ideia de quem foi o responsável por aquela ação que vitimou o Santiago, que é uma pessoa conhecida e querida de nós. Espero que o responsável seja identificado e responsabilizado. Sou radicalmente contra toda e qualquer violência e isso precisa ser investigado. Conheci a Sininho através da imprensa e esse número para o qual ela ligou é um número da Comissão de Direitos Humanos muito conhecido e antigo. Em que diz respeito a este termo, não tem o menor sentido durante um depoimento um telefonema de um advogado que diz que ouviu um depoimento, uma conversa que só ele ouviu, que a própria ativista nega. Isso precisa ser apurado", afirmou.
O ato
Todos os participantes elogiaram a trajetória de Marcelo Freixo e enalteceram a sua luta em defesa dos direitos humanos. O deputado agradeceu o apoio recebido.
Marcelo Freixo explicou que o ato foi organizado por grandes amigos de longa data que reuniram intelectuais, artistas, movimentos sociais, jovens em defesa da história e da dignidade, disse o deputado. "Evidentemente, minha vida pública foi muito atingida pelos noticiários, que lamentavelmente de alguma maneira me associaram a esse ato brutal e inaceitável que atingiu o Santiago. Eu tenho uma história de vida inteira, uma luta contra a violência, muito antes do Parlamento, e não se pode destruir a vida de uma pessoa dessa forma. Então, evidentemente que essa acolhida, esse gesto de carinho vem muito bem pra mim nesse momento e eu fico muito grato a todas as pessoas aqui presentes”.
Apoio
O músico Caetano Veloso que também participou do ato de solidariedade, usou sua coluna no jornal O Globo de domingo (16) para também defender o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ). "Gosto de Freixo não porque ele é do Psol. Acho que gosto um tanto do Psol por ele abrigar Freixo", disse um dos líderes do tropicalismo. Em seu texto, o compositor fez duras críticas ao próprio periódico pelo conteúdo veiculado durante o caso do cinegrafista Santiago Andrade, morto após ser atingido por um rojão durante uma manifestação no Rio de Janeiro.
"Simplesmente me pergunto qual exatamente será a intenção do O Globo ao estampar manchetes e editoriais induzindo seus leitores a ligarem Marcelo Freixo aos rapazes que lançaram o rojão que matou Santiago Andrade. A matéria publicada no dia em que saiu a chamada de capa com o nome do deputado era uma não notícia. Nela, a mãe de Fábio Raposo, o rapaz que entregou o foguete a Caio Souza, é citada dizendo acreditar que o filho “tem algum tipo de ligação com Freixo”. Isso em resposta a uma possível declaração do advogado Jonas Tadeu Nunes, que, por sua vez, partiu de uma suposta fala da ativista apelidada Sininho. O Globo diz que esta nega. Como então virou manchete a revelação da possível ligação entre o deputado e os rapazes envolvidos no trágico episódio? Eu esperaria mais seriedade no trato de assunto tão grave", escreveu Caetano.
Fonte: Portal Terra e Jornal Nacional