"Inflação sob controle é motivo de comemoração", diz economista
Pesquisa divulgada nesta sexta-feira (10), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2013 em 5,91%. O dado fica dentro da meta oficial do governo cujo teto é 6,5%. "Pelo décimo ano consecutivo, o governo cumpriu a meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional", lembra o economista João Sicsú.
Joanne Mota, da Rádio Vermelho em São Paulo
Publicado 10/01/2014 11:21
O especialista acrescenta que "reduzir a inflação é uma meta natural do governo, porque quanto menos inflação melhor, mas o país mantém a meta estabelecida. Isso é importante". Segundo Sicsú, "alguns itens pressionaram o índice de dezembro um deles foi o item passagem área que subiu absurdamente em dezembro em função da alta temporada".
Ele lembra que "é importante observar que os itens que estão pressionando a inflação, sobretudo nos últimos 5 anos, são o itens alimentação e bebidas, basta observar que os dois sozinhos subiram mais que a inflação (8,48%) . O governo precisa ficar de olho, pois é aí que encontramos o nosso maior problema. Esses setores sofrem com a quebra de safra ou a especulação internacional".
"Penso que daqui para a frente é preciso elaborar políticas mais sofisticadas no combate à inflação. Penso que é preciso refletir muito sobre a ideia de que elevar juros é a saída para conter a inflação, isso prejudica os investimentos e breca o desenvolvimento", enfatizou Sicsú ao fazer análise do quadro geral da economia no Brasil.
A pesquisa do IBGE indica que o principal impacto veio de Alimentação e Bebidas, com alta acumulada de 8,48%. Em 2012, esse índice foi maior, de 9,86%. Só em dezembro, o IPCA subiu 0,92%,o maior resultado mensal desde abril de 2003 (0,97%), segundo o IBGE.
A pesquisa aponta ainda que, na variação mensal, o maior destaque do IPCA em dezembro coube ao grupo Transportes, com alta de 1,85%, ante 0,36% em novembro.
Itens de impacto
Entre as maiores variações está a dos preços relativos a despesas pessoais, que acumulou alta de 10,04% para 8,10%. Ficaram mais caros os gastos com cigarro (15,33%), manicure (11,01%), hotel (10,81%), costureira (7,03%) e cabeleireiro (8,05%).
O grupo de gastos com educação também teve forte variação, passou para 7,94%, com os maiores destaques partindo dos preços de mensalidades dos cursos regulares (8,22%) e de cursos diversos, como de idioma e informática (9,29%).
Também ficou acima do IPCA acumulado no ano a variação dos preços relativos à saúde, que foi de 5,95% para 6,95%, puxada, principalmente, pelos planos de saúde, cujas mensalidades ficaram 8,73% mais caras.
Inflação para famílias de baixa renda
O Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE) também divulgou, nesta sexta-feira (10), o indicador que mede a inflação para famílias de baixa renda, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), fechou 2013 em de 5,56%, índice menor que o de 2012, 6,2%.
De acordo com o IBGE, entre as regiões metropolitanas pesquisadas, o maior INPC foi registrado em Fortaleza (6,94%) e em Recife (6,93%). Nas duas capitais, além do grupo alimentação e bebidas, pressionaram a inflação os reajustes nos preços dos alugueis. A inflação mais baixa foi identificada em Salvador (4,7%).
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