Trabalhos restaurados são exibidos na mostra Marcas da Memória
A Cinemateca Brasileira, a Sociedade Amigos da Cinemateca e a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça apresentam desde , entre quarta-feira (23) até o domingo (27), a mostra Marcas da Memória, que inclui títulos restaurados pelo projeto “Memória cinematográfica para um tempo sem memória”, selecionado pela Comissão de Anistia no edital Marcas da Memória.
Publicado 24/10/2013 09:34

Filme Libertários está na mostra Marcas da Memória/divulgação-reprodução
O projeto recuperou, preservou e restaurou obras ameaçadas de cineastas que pensaram o Brasil dos anos 1960-1970, retratando o período de violenta turbulência social e política dos anos de ditadura militar no país. São eles: Os Fuzis, de Ruy Guerra, premiado com o Urso de Prata no Festival de Berlim de 1964; Manhã Cinzenta, de Olney São Paulo, exibido na Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes de 1970, apesar da proibição da Censura Federal; o curta-metragem Os anos passaram, de Peter Overbeck, que retrata a mobilização estudantil brasileira em 1967 e 1968; e o documentário Libertários, de Lauro Escorel, que trata do papel do Anarquismo no início do movimento operário em São Paulo.
Para completar a programação, a Cinemateca Brasileira selecionou mais seis importantes títulos da filmografia nacional com a mesma temática, como Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho, vencedor do Festival de Berlim de 1985 e O Fio da Memória, do mesmo diretor, que discute a experiência negra no Brasil; Imagens do Inconsciente, de Leon Hirszman, obra dividida em três partes que retratam três casos tratados pela Dra. Nise da Silveira no Centro Psiquiátrico Pedro II – mais tarde, Museu de Imagens do Inconsciente; e O caso dos irmãos Naves, de Luiz Sérgio Person, longa-metragem que conta a história real dos irmãos que foram presos e torturados injustamente.
A mostra celebra ainda o Dia Mundial Do Patrimônio Audiovisual (World Day of Audiovisual Heritage), que neste ano traz o tema Salvando Nosso Patrimônio Para as Próximas Gerações (Saving Our Heritage for the Next Generation). Comemorado sempre em 27 de outubro por cinematecas e arquivos de vários países, com o apoio da Federação Internacional dos Arquivos de Filmes – FIAF, o Dia Mundial Do Patrimônio Audiovisual busca chamar a atenção da sociedade civil e dos governos para a necessidade de preservação dos materiais fílmicos, televisivos e radiofônicos ao redor do mundo.
Realizada pela Cinemateca Brasileira, a mostra Marcas da Memória dialoga com a 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, com a qual a Cinemateca vem mantendo parceria que já dura mais de 15 anos.
A Comissão de Anistia e o projeto Marcas da Memória
Criada em 2001, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça tem por objetivo promover a reparação de violações a direitos fundamentais praticadas entre 1946 e 1988, configurando-se em espaço de reencontro do Brasil com seu passado, subvertendo o senso comum da anistia enquanto esquecimento. A Anistia no Brasil significa, a contrário senso, memória. Em sua atuação, o órgão reuniu milhares de páginas de documentação oficial sobre a repressão no Brasil e, ainda, centenas de depoimentos, escritos e orais, das vítimas. E é deste grande reencontro com a história que surgem não apenas os fundamentos para a reparação às violações como, também, a necessária reflexão sobre a importância da não repetição destes atos de arbítrio.
É neste contexto que surge o projeto Marcas da Memória, que expande ainda mais a reparação individual em um processo de reflexão e aprendizado coletivo, fomentando iniciativas locais, regionais e nacionais que permitam àqueles que viveram um passado sombrio, ou que a seu estudo se dedicaram, dividir leituras de mundo que permitam a reflexão crítica sobre um tempo que precisa ser lembrado e abordado sob auspícios democráticos, como o presente projeto desenvolvido em parceria com a Sociedade Amigos da Cinemateca.
MOSTRA MARCAS DA MEMÓRIA
Quando? 23 a 27 de outubro
Onde? Cinemateca Brasileira – Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino – São Paulo/SP
Informações: (11) 3512.6111
Entrada gratuita
Fonte: Site da UNE