Patinhas: “Tudo que eu sou como ser humano, devo ao PCdoB”
Com frases do guerrilheiro Carlos Marighela, o professor e dirigente do Partido no município de Sobral, Joan Edesson deu início a um dos momentos mais aguardados pelos comunistas no segundo dia da 21ª Conferência do PCdoB-CE: a homenagem ao dirigente Carlos Augusto Diógenes, Patinhas, que presidiu o Partido no Ceará desde 1991.
Publicado 14/10/2013 17:01 | Editado 04/03/2020 16:27

Patinhas recebeu dos camaradas do Partido várias homenagens, dentre elas a leitura de um texto poético, narrando sua trajetória. Em seguida, foi apresentado um vídeo com fotos diversas, tendo como trilha sonora “Vai passar”, do Chico Buarque. Joan explicou a escolha da música. “Ela não foi escolhida à toa. Em 1985, quando a ditadura foi derrubada, Patinhas embriagado de felicidade, foi encontrado dançando em cima de uma mesa dançando essa música”, contou.
Após o vídeo, o dirigente foi abraçado de forma calorosa por diversos camaradas, que entoaram juntos o hino da internacional. Ainda no calor da emoção, um mini cortejo de militantes da União da Juventude Socialista rendeu homenagens ao líder comunista com a palavra de ordem: “Patinhas, guerreiro do povo brasileiro”, momento que contagiou o auditório e disseminou um clima de gratidão e ternura.
Agradecimentos
O menino sertanejo, nascido em Jaguaribe em 1944, respirou fundo ao tentar pronunciar as primeiras palavras para agradecer o carinho da militância na despedida como presidente do PCdoB-CE. Patinhas expressou de forma calma e pausada todo o significado de ser militante comunista. Ele relatou lembranças da sua trajetória, dos amigos, dos momentos difíceis de atuação do Partido na clandestinidade e dos desafios existentes na contemporaneidade.
Com o semblante delicado, contou como se deu a entrada no PCdoB, como estudante do curso de engenharia da Universidade Federal do Ceará, sobre a integração no núcleo dirigente do Partido, quando mudou-se para a Bahia, atuando como secretário de organização; o período clandestino, vivido com a companheira, Noélia Ribeiro; e as passagens por Mato Grosso e Rondônia, retornando ao Ceará, em 1980, onde foi integrado aos comunistas Gilse Consenza, Abel Rodrigues, Luís Carlos Paes e Benedito Bizerril ao Comitê Estadual.
“Esse é um momento muito emocionante na minha militância, só comparo com dois momentos, quando eu voltei da clandestinidade com a minha companheira e encontramos a família dela na Bahia, que achavam que tínhamos sido mortos e no retorno de carro para o Ceará, quando pedi para parar o carro e beijei o chão cearense”, disse Patinhas ao relembrar o período da ditadura militar.
Sobre a transição da presidência, Patinhas enfatizou a importância da renovação dos quadros partidários e anunciou que permanecerá no Comitê Estadual, porém cumprirá tarefas em nível nacional. “Se chegamos ao Partido que somos hoje, o meu papel foi pequeno. Esse crescimento se deve à gloriosa militância que temos. O PCdoB se encontra em sua melhor fase, anda de cabeça erguida, o povo conhece nossa militância. Eu confio no Comitê que será renovado para guiar o Partido no enfrentamentos dos desafios postos”, ratificou. Patinhas finalizou, de forma enfática, que toda a sua trajetória se confunde com a do Partido Comunista do Brasil. “Tudo o que eu sou como ser humano, devo ao PCdoB”.
De Fortaleza,
Ivina Carla (especial para o Vermelho/CE)